Pesquisadores brasileiros desenvolveram um biossensor portátil capaz de identificar, a partir de uma gota de sangue, sinais de câncer antes que o tumor seja detectado por exames de imagem. A tecnologia, criada pela startup Diasci, combina biópsia líquida e nanotecnologia e tem apoio da Fapesp e do Sebrae Startups.
O dispositivo funciona de forma semelhante a um glicosímetro. A gota de sangue é colocada sobre um eletrodo que identifica biomarcadores, e a interação entre as moléculas e a superfície do sensor produz um sinal elétrico, indicando possíveis alterações associadas ao câncer.
Inicialmente, o equipamento é desenvolvido para detectar tumores de pâncreas, cérebro e pulmão. A proposta é que o exame seja usado periodicamente como ferramenta de rastreamento, com atenção especial ao câncer de pâncreas, que tem alta letalidade e costuma ser diagnosticado em estágio avançado.
Um resultado alterado no teste não significaria, por si só, um diagnóstico de câncer. A ideia é que o exame indique a necessidade de investigação mais detalhada por outros métodos.
A tecnologia ainda não está disponível para uso clínico. O projeto está em fase pré-clínica e de validação analítica, e precisa passar por estudos com pacientes antes de ser submetido à aprovação da Anvisa. A Diasci mantém parceria com o Icesp, que fornece amostras para a validação.
Os pesquisadores estimam que o teste possa custar entre US$ 40 e US$ 50, valor inferior ao de exames de alta complexidade, como o PET-CT. A expectativa é que o dispositivo seja utilizado em unidades básicas de saúde e em regiões com menor acesso a equipamentos especializados.
Além da detecção precoce, o biossensor poderá acompanhar pacientes já diagnosticados, indicando se o tratamento está funcionando e avaliando a resposta aos medicamentos. A previsão é concluir os testes até meados de 2027.

