A rede de câmeras inteligentes Gabriel alcançou 800 suspeitos indiciados no Brasil em seis anos de operação, sendo 615 no Rio de Janeiro, segundo balanço divulgado pela empresa nesta quinta-feira (1º). O levantamento mostra que 14% das ocorrências com apoio da tecnologia resultam em indiciamento.
O percentual é sete vezes superior à média de 2% registrada no estado de São Paulo, conforme dados da Polícia Civil citados pela Gabriel. A comparação, porém, considera universos distintos: de um lado, ocorrências que tiveram apoio da tecnologia da empresa e, de outro, a média geral de São Paulo. Por isso, os números não permitem concluir, isoladamente, que o uso das câmeras seja responsável por toda a diferença entre os índices.
O trabalho da Gabriel consiste em fornecer imagens e informações que ajudam a reconstituir a movimentação dos suspeitos. A identificação formal, o indiciamento e as eventuais prisões continuam sob responsabilidade das autoridades policiais.
Um dos casos citados pela empresa ocorreu na Gávea, na Zona Sul do Rio, onde uma idosa foi vítima do chamado golpe do bilhete premiado. A investigação ficou a cargo da 15ª DP (Gávea), que solicitou o apoio da equipe de inteligência da Gabriel. A empresa utilizou imagens de 30 câmeras inteligentes, chamadas de Camaleões, para reconstituir as rotas de fuga dos suspeitos.
Doze dias depois, o veículo utilizado no golpe voltou a circular pela região. Segundo a Gabriel, o sistema identificou sua passagem e repassou as informações em tempo real à Polícia Civil. Com os dados, os agentes conseguiram localizar e deter três suspeitos de envolvimento no crime.
Outro episódio ocorreu em agosto, no Tatuapé, na Zona Leste de São Paulo. Uma sequência de disparos deixou três pessoas feridas, e o 52º Distrito Policial solicitou o apoio da empresa. A análise das imagens de duas câmeras instaladas no bairro permitiu identificar o veículo utilizado no crime e reconstituir seu trajeto. O suspeito foi detido pela Polícia Civil no dia seguinte.
Os equipamentos da Gabriel são instalados nas fachadas de imóveis privados e monitoram a movimentação nas vias públicas. As câmeras, conhecidas como Camaleões, utilizam recursos de inteligência artificial para extrair informações das imagens captadas. As câmeras instaladas em uma mesma região formam o que a empresa chama de Áreas de Atuação.
No Rio de Janeiro, a Gabriel mantém integração com o Programa 190 Integrado, que permite o compartilhamento de informações com a Polícia Militar por meio do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC). A rede também está conectada à Civitas Rio, central de inteligência da Prefeitura do Rio, além de manter parceria com a Polícia Civil. Em São Paulo, a rede está integrada ao Smart Sampa, ao Monitora Oz, ao Muralha Paulista e ao CICC/SP. Em Belo Horizonte, a empresa participa do Sistema Hélios. No Espírito Santo, integra o Programa Sentinela.
Fundador e diretor executivo da Gabriel, Erick Coser afirma que os mais de 800 indiciamentos representam o resultado de seis anos de colaboração com as autoridades policiais. “Por trás desse número estão vítimas que tiveram resposta. É a impunidade que faz as pessoas terem medo da própria rua, e esse resultado mostra que a tecnologia bem usada pode fazer com que tenhamos um Brasil diferente”, afirmou. O executivo também citou planos de expansão da rede para novos municípios. A empresa não detalhou, no balanço divulgado, quantos dos 800 indiciamentos resultaram em condenações judiciais.


