A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) ainda não confirmou a participação do candidato no debate do segundo turno marcado pela Band para domingo (18), em São Paulo. Após sinalizar que enfrentaria Lula (PT) nos encontros de televisão, aliados agora avaliam os riscos de exposição em um momento em que o candidato lidera as pesquisas.
A hesitação reflete uma mudança no cálculo político. Flávio terminou o primeiro turno à frente e também apareceu numericamente na dianteira nas primeiras pesquisas da nova etapa. Nesse cenário, aliados passaram a avaliar com mais cautela o benefício de colocar o candidato em uma transmissão ao vivo, na qual uma resposta mal formulada ou um episódio de confronto pode dominar os dias seguintes da campanha.
A Band confirmou o primeiro debate presidencial do segundo turno para domingo, às 20h, em São Paulo. Até agora, porém, a campanha de Flávio não fez um anúncio público confirmando sua participação.
Durante a primeira fase da eleição, a equipe de Flávio também restringiu a participação em debates. Em agosto, Rogério Marinho, coordenador político da campanha, afirmou que o senador só iria a encontros com a presença de Lula. A justificativa era evitar que Flávio se tornasse o principal alvo dos demais candidatos. Os dois principais candidatos acabaram atravessando o primeiro turno sem confronto direto. Flávio desistiu do debate da Globo em 1º de outubro, que posteriormente foi cancelado.
Depois da votação de 4 de outubro, o cenário parecia ter mudado. Integrantes das duas campanhas indicaram inicialmente que Lula e Flávio participariam dos debates do segundo turno. Agora, com a campanha em nova fase, a avaliação voltou a considerar o custo da exposição.
No campo petista, a estratégia é diferente. Depois de evitar debates no primeiro turno, Lula passou a defender o confronto direto com Flávio. A campanha avalia que o formato com apenas dois candidatos oferece uma oportunidade de comparar propostas e pressionar o adversário em temas econômicos, sociais e institucionais.
Para Lula, a presença de Flávio também permitiria levar ao palco questões que ganharam espaço nos últimos dias, como reforma tributária, escala 6×1, mudanças constitucionais e as propostas econômicas apresentadas pela campanha do PL. Uma eventual ausência de Flávio também teria custo político. Lula já passou a cobrar publicamente o adversário por debates, e uma cadeira vazia pode ser explorada pela campanha petista como argumento de que o candidato evita confronto direto.


