Candidatos à Presidência da República comentaram o cancelamento do debate da Globo, previsto para a noite desta quinta-feira (1º). A emissora atribuiu a decisão a determinações que, segundo ela, geraram “insegurança jurídica” e “interferência indevida” na organização do encontro.
Romeu Zema (Novo) foi o primeiro a se manifestar. Ao vivo, o ex-governador de Minas Gerais afirmou que as regras exigem o número mínimo de cinco parlamentares do partido para a participação no debate. Segundo Zema, o Novo possui seis parlamentares.
Mais cedo, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proibiu a exibição do púlpito vazio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no debate. Além disso, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes derrubou a decisão do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, e autorizou a participação de Renan Santos (Missão) no debate da Globo.
“Quem está perdendo é o nosso Brasil e a nossa democracia”, declarou Zema. O candidato do Novo também afirmou que a imprensa internacional já noticiou que a Suprema Corte brasileira está “metida em corrupção até o nariz”. Para Zema, a situação é vergonhosa. “Com certeza estão querendo favorecer o Lula, que colocou o Dino lá [no STF]”, completou.
Em seguida, o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), também comentou a decisão ao vivo. O candidato classificou o cancelamento como “um atentado à democracia brasileira”. “Destruíram o processo eleitoral no país, nós não tivemos a oportunidade de promover debates”, declarou Caiado. Segundo ele, Lula decidiu não participar dos debates desde o início e buscou “uma linha paralela em um podcast para tentar inviabilizar” os encontros.
Caiado também criticou decisões do TSE e do STF. Para o candidato, as medidas podem levar o país ao que chamou de “Ditadura da Toga”. O ex-governador ainda afirmou que, com a situação, a Corte poderia se reunir para decidir quem será o próximo presidente da República.
Augusto Cury (Avante) também comentou o cancelamento e afirmou que sua candidatura continua válida. “Essa insegurança jurídica tem que terminar”, declarou. “O STF é o alicerce da democracia. Tem que ser discreto, ninguém sabe o nome de um ministro da Suprema Corte norte-americana, mas no Brasil, sabemos de quase todos.” Cury afirmou que o STF assumiu um protagonismo “completamente desproporcional” e que a situação “beira a um colapso da democracia”.
Caso seja eleito, Cury afirmou que pretende acabar com a vitaliciedade dos ministros da Corte e estabelecer um mandato máximo de oito anos para cada integrante. Ele lembrou que já havia declarado que não precisa do poder e que pretende renunciar ao salário. “Eles, Lula e Flávio, dependem do poder”, afirmou. “Eles amam o poder acima da sociedade brasileira”.

