A Baixada Fluminense, com mais de 3,5 milhões de habitantes e cerca de 22% dos eleitores do estado, tornou-se alvo de candidatos como Eduardo Paes (PSD) e Douglas Ruas (PL) na reta final da campanha. A região, segundo maior colégio eleitoral fluminense, concentra contrastes: de condomínios de alto padrão a barracos de madeira, com problemas que vão do saneamento à segurança.
Na Rua Doutor Mário Guimarães, no Centro de Nova Iguaçu, chamada de Times Square da cidade pelo advogado Rafael Pinheiro, presidente do Country Club, há restaurantes movimentados, hotéis e apartamentos de classe média alta. O bairro tem a segunda maior renda média por chefe de família da Baixada (R$ 5,5 mil mensais, acima dos R$ 3,3 mil do estado), conforme o Censo 2022 do IBGE.
A dois quilômetros dali, cruzando a linha férrea, fica a casa de vila do pedreiro Marcondes Antônio Santos Toledo, que mora com a esposa Glisiane e seis de seus 14 filhos, de 9 a 17 anos. “Dependendo dos trabalhos que pego, consigo tirar R$ 1.500, R$ 2 mil por mês. Quando muito, R$ 2.500. Aqui, quando chove, alaga tudo. E olha que suspendi a casa. É muito sofrimento”, conta.
Nova Iguaçu, oitava em PIB per capita na região (R$ 26 mil, ante média estadual de R$ 73 mil), abriga empresas como Granfino, Café Pimpinela, Embelleze, Niely e Usimeca. No mercado imobiliário, o condomínio Le Jardin Residence Parc tem casas de quatro quartos por cerca de R$ 2 milhões (R$ 5.212/m²), com aluguel na faixa de R$ 7.478, segundo Gustavo Gentil Brandão, sócio-administrador da Boom Imobiliária. No Golden Gate Club Condominium, a compra sai por R$ 1,3 milhão (R$ 7.292/m²) e a locação média é de R$ 4.896.
Em São João de Meriti, a renda média do chefe de família é de R$ 1.893,05. O pedreiro Sérgio dos Santos, de 64 anos, vive com a esposa Jamile, de 44, e a filha Sara, de 9, em um barraco de madeira à beira do Rio Sarapuí, em Coelho da Rocha. “O meu sonho é dar uma casa melhor para minha filha. Fico com medo quando chove e venta. Minha casa alaga, e tem árvores que podem cair em cima”, diz Jamile.
Em Itaguaí, cidade com o maior PIB per capita da Baixada, estão os cinco bairros com as menores rendas médias da região: Guandu (R$ 1.038,01), Belo Horizonte (R$ 1.112,61), Aljezur (R$ 1.158,24), Lagoa do Sapo (R$ 1.193,97) e Bananal (R$ 1.230,65). No ranking do Instituto Trata Brasil, Caxias e Nova Iguaçu aparecem nas 89ª e 78ª posições em saneamento; São João de Meriti, na 87ª; Belford Roxo, onde só 7,62% do esgoto é coletado, na 95ª. A concessionária Águas do Rio afirma ter investido R$ 1,9 bilhão na região e prevê mais R$ 7 bilhões até 2033.

