Partidos do Centrão articulam mudanças no sistema eleitoral brasileiro para tentar aprovar uma reforma ainda em 2026, antes da posse dos novos parlamentares. A iniciativa ganhou força após o crescimento da bancada do Partido Liberal (PL), que elegeu 121 deputados federais para a próxima legislatura e terá a maior representação da Câmara desde a redemocratização.
A proposta busca alterar o modelo de eleição para deputados federais, estaduais e vereadores. Entre as alternativas discutidas estão o sistema distrital misto e o chamado distritão. As duas possibilidades dividem as lideranças partidárias, que tentam chegar a um consenso para encaminhar a votação no Congresso Nacional.
A movimentação também é uma reação à votação expressiva de candidatos de direita, especialmente nomes com forte presença nas redes sociais. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), por exemplo, obteve votação suficiente para contribuir para a eleição de outros integrantes do partido em Minas Gerais. O mesmo ocorreu com Lucas Pavanato (PL-SP), que ampliou a representação da sigla em São Paulo.
No sistema atual, conhecido como proporcional de lista aberta, as vagas são distribuídas conforme o desempenho eleitoral dos partidos e federações. A votação obtida pelos candidatos influencia a definição de quantas cadeiras cada grupo conquista, permitindo que nomes muito votados ajudem a eleger outros integrantes da mesma legenda. O Centrão avalia que esse mecanismo favoreceu o avanço do PL e contribuiu para reduzir o espaço de partidos tradicionais.
Uma das alternativas é o sistema distrital misto, que combina a eleição de representantes por regiões delimitadas com a votação proporcional nos partidos. Nesse modelo, o território seria dividido em distritos eleitorais, nos quais os candidatos disputariam vagas diretamente. A outra parte das cadeiras seria distribuída conforme os votos recebidos pelas legendas. Defensores do sistema afirmam que a mudança pode aproximar os parlamentares dos eleitores e facilitar a identificação dos representantes de cada região. Críticos apontam o risco de favorecer lideranças locais com maior poder econômico e dificultar a eleição de candidatos que recebem votos dispersos por diferentes municípios.
O Projeto de Lei 9.212/2017, que trata do distrital misto, foi aprovado pelo Senado e aguarda avanço na Câmara dos Deputados. O deputado Domingos Neto (PSD-CE) é o relator da matéria. Já o distritão, modelo no qual são eleitos os candidatos individualmente mais votados, exige mudança constitucional. Uma proposta de emenda à Constituição precisa receber pelo menos 308 votos favoráveis na Câmara, em dois turnos, antes de seguir para o Senado.
Na quarta-feira (14), líderes e presidentes de dez partidos se reuniram com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e manifestaram apoio à sua reeleição para o comando da Casa. A reforma eleitoral também esteve entre os assuntos discutidos no encontro. Uma nova reunião entre aliados de Motta está prevista para a próxima semana. Outro encontro, marcado para 28 de outubro, deve reunir presidentes partidários para discutir os próximos passos.
Parte das lideranças defende que a votação ocorra ainda neste ano, antes da posse dos novos deputados. A avaliação é de que a composição da próxima legislatura, com uma bancada maior do PL, poderá dificultar a aprovação de mudanças que afetem o modelo atual. A discussão também envolve a possibilidade de participação do Senado desde o início das negociações.


