O Centro-Oeste registrou 128 mil crianças e adolescentes de 5 a 17 anos em situação de trabalho infantil em 2025, segundo a PNAD Contínua do IBGE. Em todo o Brasil, aproximadamente 1,5 milhão estavam nessa condição. O Sudeste liderou em números absolutos, com 481 mil casos, e o Norte teve a maior taxa, de 6,3%.
Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgada nesta sexta-feira (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Centro-Oeste apresentou o menor contingente absoluto do país, à frente de Sul (233 mil) e Norte (249 mil). O Nordeste teve 408 mil casos.
No recorte por faixa etária, 871 mil crianças e adolescentes de 16 e 17 anos trabalhavam, o equivalente a 58,1% do total nacional. Isso representa 14,5% dos adolescentes brasileiros nessa idade. Entre 14 e 15 anos, eram 348 mil; de 5 a 13 anos, 280 mil.
O levantamento identificou 525 mil crianças e adolescentes em atividades classificadas entre as piores formas de trabalho infantil, conforme a Lista TIP, do Decreto 6.481, de 2008. O contingente é o menor da série histórica: em 2024, eram 560 mil, queda de 6,3% em um ano. Desde 2016, a redução acumulada chega a 42,9%.
Entre os jovens nessa condição, 72,6% eram meninos e 68,3% eram pretos ou pardos. A maioria tinha entre 16 e 17 anos, faixa que concentrava 333 mil casos. No conjunto das crianças e adolescentes em trabalho infantil, 65,4% eram meninos e 67% eram pretos ou pardos.
A frequência escolar entre crianças e adolescentes que trabalhavam era de 86,9%, abaixo dos 97,5% da população geral de 5 a 17 anos. Entre os adolescentes de 16 e 17 anos, a diferença era maior: 79,6% frequentavam a escola, contra 89,6% do total da faixa etária. O rendimento médio era de R$ 936 mensais; os que estudavam recebiam R$ 844, e os fora da escola, R$ 1.326.
A queda nacional de 151 mil casos entre 2024 e 2025 foi puxada por famílias beneficiárias do Bolsa Família, que responderam por mais de 95% da redução. Ainda assim, 573 mil crianças e adolescentes atendidos pelo programa permaneciam em situação de trabalho infantil. O IBGE ressalta que os dados não permitem atribuir a queda exclusivamente à transferência de renda.
O Ministério do Trabalho e Emprego realizou 10.234 ações fiscais em 2025, com 4.318 afastamentos, o maior número em dez anos. Minas Gerais liderou, com 830 casos, seguido por São Paulo, com 629. O Disque 100 recebeu cerca de 5,1 mil denúncias, alta de 19,4%, e o Ministério Público do Trabalho, 7,9 mil, crescimento de 36,6%.

