O chefe do serviço de inteligência externa da Alemanha, Martin Jaeger, alertou nesta segunda-feira (05/10) que o país corre o risco de se envolver em um conflito violento com a Rússia, que intensifica uma “guerra nas sombras” cada vez mais agressiva contra as democracias europeias. O aviso foi feito durante audiência pública anual no Parlamento.
“O confronto que enfrentamos com a Rússia adquiriu uma nova e mais perigosa dimensão”, disse Jaeger, que dirige o BND, órgão responsável pelo monitoramento de ameaças no exterior. “A Alemanha corre o risco de se ver envolvida em um conflito violento com a Rússia.”
Na audiência, deputados discutem a aprovação de uma lei que daria aos serviços de inteligência novos poderes para conduzir operações de prevenção de ataques. Criados após a Segunda Guerra Mundial, esses órgãos tradicionalmente operam sob restrições mais rígidas do que os de aliados como França, Reino Unido e Estados Unidos.
“A Rússia conduz uma guerra nas sombras contra nós. Essa guerra não declarada não pode ser compreendida por meio das categorias militares ou jurídicas convencionais”, afirmou Jaeger. Como exemplo, citou a tentativa de ataque com drones no aeroporto de Leipzig e disse que a Alemanha está sob ameaça “real e iminente” de novas tentativas de interferência e intimidação, incluindo de ataque nuclear.
As autoridades alemãs têm acusado a Rússia de conduzir uma guerra híbrida que mistura ataques cibernéticos, drones, espionagem e sabotagem, algo que Moscou nega. Para Jaeger, o objetivo do Kremlin é pressionar a Alemanha, maior apoiadora da Ucrânia, a desistir de ajudar Kiev. “Se a Alemanha vacilar, toda a Europa — e o apoio da Europa à Ucrânia — começaria a ruir”, disse.
Jaeger afirmou não haver indícios de um ataque russo em larga escala e iminente contra a Otan, mas ressaltou que a Rússia “pode realizar atividades militares de baixa intensidade, especialmente nos países bálticos”. Essas ações poderiam incluir o uso de soldados mascarados em uniformes não identificados, como ocorreu durante a anexação da Crimeia em 2014, para testar a aliança sem provocar um conflito maior. “Moscou aposta na nossa fraqueza. Temos de resistir a isso”, acrescentou.
Sinan Selen, chefe do Departamento Federal de Proteção da Constituição, que lida com ameaças internas, afirmou que as operações russas vão além da espionagem tradicional e incluem “sabotagem e assassinatos”. “A indústria de defesa e a infraestrutura militar estão na mira”, disse, acrescentando que Moscou “já aceita o risco de possíveis vítimas civis” em sua campanha contra a Alemanha.


