O mercado internacional de drones e robôs não tem espaço para todas as empresas que surgiram desde o início da guerra da Ucrânia, em 2022. A avaliação é do pesquisador austríaco Julian Humml, da divisão de desenvolvimento de drones do Cast, no Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech).
Segundo Humml, o aumento exponencial da demanda por drones levou ao surgimento de centenas de empresas de drones, robôs humanoides e cães robóticos. Na visão do cientista, muitos projetos esbarram em limitações de inteligência que impedem a integração entre os sistemas em aplicações no mundo real.
“A Ucrânia fez o setor evoluir enormemente. Há centenas de empresas de drones por lá agora. Mas é uma questão de quanta inteligência você consegue colocar em um drone, por exemplo, que viabilize muitos casos de uso. Hoje você tem muitas empresas de drones. Eu não acho que exista mercado para todas elas, então haverá algum tipo de consolidação”, disse Humml, durante visita às instalações do Caltech, em Pasadena, na Califórnia.
Dados do Ministério de Defesa da Ucrânia mostram que a produção de drones no país saltou de pouco mais de 1.000 unidades em 2022 para cerca de 2,2 milhões em 2024 e 3 milhões em 2025. Este ano deve terminar com mais de 7 milhões de drones produzidos. Atualmente, mais de 500 empresas produtoras de drones atuam no país, das quais 40 a 50 são consideradas líderes do mercado.
Humml compara a profusão de concorrentes no setor com o momento que antecedeu a consolidação de programas de inteligência artificial. “Quando o ChatGPT surgiu, os modelos ‘transformer’ na verdade já existiam há bastante tempo, mas foi só aquela interface humana do chat que nos aproximou muito mais desse tipo de IA”, afirmou.
No caso das aplicações para guerra, o pesquisador avalia que há um trabalho relevante sendo feito na Ucrânia para desenvolver tecnologias autônomas de reconhecimento de alvos. Ele também afirma que a comunicação ainda é um obstáculo para o avanço de frotas de drones 100% autônomos, limitadas pelos bloqueios intencionais de sinais, prática amplamente usada pelos dois lados do conflito.
O debate sobre a autonomia de drones ganhou destaque internacional depois que um equipamento russo guiado exclusivamente por IA matou 3 civis ucranianos, em 6 de julho. O caso, divulgado por autoridades ucranianas, levou a ONU a publicar posicionamento defendendo limites globais para armas autônomas.
Na divisão de drones do Cast, Humml e sua equipe trabalham em sistemas de enfrentamento de emergências. O laboratório desenvolve uma espécie de drone ambulância, protótipo para prestar suporte e assistência médica de emergência, além de drones batedores, modelos terrestres e humanoides. Outro destaque é o Rover M4, robô multimodal capaz de voar e dirigir conforme a necessidade da missão.


