O ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), derrotado no primeiro turno da eleição para o governo do Ceará, afirmou nesta terça-feira (6) que a “organização criminosa” do governador reeleito Elmano de Freitas (PT) “tomou as eleições”. O petista venceu com 53,1% dos votos, contra 46,2% do tucano.
Em manifestação, Ciro agradeceu os quase 2,5 milhões de votos recebidos, mas disse que eles “não foram suficientes para vencer a mais poderosa e desonesta máquina de corrupção, fraude e manipulação judicial da história do Ceará”.
“Já ganhei e perdi eleições, nunca repudiei o resultado das urnas, mas meu sentimento, pela primeira vez na vida, é de que fomos roubados”, declarou. O tucano afirmou que não cumprimentou Elmano após o resultado e que protocolou uma reclamação na Justiça, mas que “não acredita nela neste país apodrecido”.
A crítica central de Ciro é uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, que autorizou propaganda extra de Elmano no rádio e na televisão no dia anterior ao primeiro turno. “Ele autorizou mais de 900 comerciais de Elmano com Lula e seus senadores durante a sexta e o sábado, quando a lei, muito clara, veda a propaganda nestes dois dias que antecedem ao pleito”, questionou.
“Abram o olho: nosso estado foi transformado num quintal do PT e isto está destruindo nosso futuro. A República brasileira apodreceu com um STF com membros tais como estes que nos assaltaram no domingo”, concluiu.
A reta final da campanha no Ceará mostrava empate técnico. Ciro focou na segurança, e Elmano buscou se associar ao presidente Lula e ao antecessor no Palácio da Abolição, Camilo Santana (PT).
Após duas derrotas seguidas ao Planalto, Ciro se filiou ao PSDB no ano passado, em articulação do ex-governador Tasso Jereissati. A campanha tucana teve como frente o combate ao domínio territorial de facções. Elmano, por sua vez, montou força-tarefa com aliados, incluindo Camilo Santana e os candidatos ao Senado Cid Gomes (PSB) — rompido com o irmão Ciro desde 2022 — e Luizianne Lins (Rede).
O entorno do petista trabalhou para impedir que o eleitor lulista apoiasse Ciro, associando o tucano ao bolsonarismo cearense. No segundo turno de 2022, Lula venceu nos 184 municípios do Ceará. O jingle do governador afirma que “Elmano é Lula, Lula é Elmano”. Aliados de Ciro, por sua vez, defenderam o voto casado “Lula lá, Ciro cá”.

