O Grupo CTV, que comprou o Edifício Mesbla, na Rua do Passeio, no Centro do Rio, afirmou que foi surpreendido pela ausência de projetos executivos e complementares do imóvel, o que obrigou a construtora a rever o cronograma de entrega do retrofit Ora Residencial, inicialmente previsto para meados de 2027. A transferência definitiva dos ativos, comprados da Inti em agosto, ainda não foi concluída.
Em entrevista ao DIÁRIO DO RIO, o diretor comercial e de marketing do grupo, Guilherme Mororó, disse que a empresa trabalha para identificar as pendências deixadas pela antiga responsável. “Fomos surpreendidos pela ausência de projeto. Estamos com um time exclusivo tocando e revendo isso, fazendo estudos complementares e análise técnica”, afirmou.
Os 191 apartamentos foram vendidos em abril de 2025, nas primeiras 24 horas após o lançamento, por valores entre R$ 400 mil e R$ 900 mil. Na época, as unidades foram apontadas como as mais caras já comercializadas no âmbito do Reviver Centro.
Depois do diagnóstico, a construtora pretende convocar os compradores para apresentar um novo cronograma. “Vamos sentar com os clientes e apresentar um novo cronograma”, disse Mororó, que também afirmou que o financiamento para concluir as obras já está contratado e garantido.
A negociação ocorreu após a Inti enfrentar dificuldades financeiras. Além do prédio da Mesbla, o Grupo CTV comprou outros dois ativos da empresa, em Botafogo e na Gávea, que também passam por reavaliações. A regularização societária está na fase final, com previsão de protocolar a alteração contratual nesta sexta-feira.
Construído em 1934, o edifício foi um dos endereços mais conhecidos da finada Mesbla. O projeto prevê a transformação do imóvel em condomínio residencial, com modernização dos espaços internos e preservação das características arquitetônicas em estilo art déco. A Inti havia comprado o prédio da gestora São Carlos por R$ 21,7 milhões.
O Grupo CTV mantém outros dois projetos de retrofit no Centro: na Praça Mauá, na antiga sede da Companhia Docas, e na Rua da Uruguaiana, no antigo prédio do Detro.

