A Coreia do Norte anunciou nesta sexta-feira (16) que testou dois tipos de mísseis de cruzeiro lançados de submarinos na costa leste do país na quarta-feira (15). O movimento ocorre em meio a uma corrida armamentista com a Coreia do Sul pelo desenvolvimento de armas hipersônicas, capazes de voar a mais de 6.100 quilômetros por hora.
A informação foi divulgada pela agência estatal KCNA. Um dia antes do teste, o líder Kim Jong Un visitou um novo museu com itens militares, incluindo um míssil balístico intercontinental supostamente capaz de atingir alvos em território dos Estados Unidos.
A visita ocorreu cinco dias depois de o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, acompanhar o lançamento do primeiro míssil hipersônico desenvolvido integralmente pelo país.
Mísseis hipersônicos viajam a pelo menos cinco vezes a velocidade do som (Mach 5), o que dificulta a identificação, o rastreamento e a destruição pelas forças de defesa. Eles podem carregar ogivas convencionais ou nucleares e têm a capacidade de mudar de trajetória durante o voo, o que complica a interceptação.
“Há muitos anos existe uma corrida armamentista na península coreana, e as armas hipersônicas são apenas a manifestação mais recente disso”, afirmou Chris Green, assessor sênior para a península coreana do International Crisis Group.
Green disse que as armas hipersônicas se tornaram prioridade para o Sul à medida que o Norte ampliou suas capacidades e fortaleceu laços militares e econômicos com a Rússia. Sobre o Norte, afirmou que o país busca armas convencionais avançadas para alcançar predominância na península, já que o uso de armas nucleares não seria viável diante da ameaça de retaliação dos EUA.
O general aposentado Chun In-bum, pesquisador sênior do National Institute for Deterrence Studies, afirmou que é possível que o país tenha obtido a tecnologia por meios ilegais, por meio de espionagem a empresas nos EUA, na Coreia do Sul e no Japão. “Qualquer planejador militar prudente deve sempre assumir o pior cenário”, disse.
Para Green, os sistemas desenvolvidos por ambos os lados podem se anular como vantagem no campo de batalha. “Não acho que isso altere o equilíbrio de poder”, afirmou, acrescentando que, se o Norte implantar seus sistemas em grande escala, será necessário discutir a ampliação das defesas antimísseis no Sul e no Japão.

