Uma dose única elevada de creatina pode melhorar temporariamente o desempenho cognitivo prejudicado pela fadiga mental causada pela privação de sono. É o que indica um estudo publicado na revista Scientific Reports, que acompanhou 15 pessoas obrigadas a permanecer acordadas durante uma noite inteira enquanto realizavam testes.
Os efeitos positivos foram observados tanto no metabolismo cerebral quanto no desempenho cognitivo dos participantes. As mudanças começaram três horas depois da ingestão, atingiram o pico aproximadamente quatro horas após o consumo e permaneceram por cerca de nove horas no total.
A cardiologista Stephanie Rizk afirmou que os resultados sugerem que a creatina pode ter diminuído o preço cognitivo provocado por uma noite sem dormir. Ela ponderou, porém, que o suplemento não transformou a privação de sono em prática segura.
Rizk também recomendou cautela na interpretação dos estudos sobre a substância. “Talvez a creatina tenha mais a oferecer ao cérebro do que imaginávamos. Mas, por enquanto, deve ser vista como uma possibilidade promissora”, disse.
No organismo, a creatina funciona como combustível para os músculos esqueléticos e pode contribuir para o crescimento muscular quando combinada a exercícios. A maior parte fica armazenada nas fibras musculares, e uma quantidade menor é encontrada no cérebro. O corpo reabastece naturalmente os estoques ao longo do dia; os suplementos ajudam a aumentar esse armazenamento.
A especialista destacou que a creatina é amplamente estudada e apresenta boa segurança para a maioria nas doses habituais, mas não deve ser usada de forma indiscriminada. “Pessoas com doença renal, gestantes, crianças ou pacientes em tratamento contínuo devem discutir a suplementação com um profissional”, afirmou.
Os autores do estudo reforçam que os resultados indicam um efeito temporário em situação específica e não autorizam tratar a substância como substituta de uma noite adequada de descanso.

