Eventos climáticos extremos ameaçam de forma desproporcional a saúde, os direitos e o futuro de mulheres e meninas em todo o mundo. A constatação é de um relatório da ONG Plan International, que aponta os principais riscos enfrentados por essa população e cobra medidas urgentes para a proteção do grupo.
A pesquisa se baseou na experiência de mais de cinco mil mulheres e meninas com idades entre 15 e 24 anos, dos países Bangladesh, Quênia, Peru, Senegal e Zimbábue.
Os resultados mostraram que o acesso aos serviços de saúde, gravidez não planejada, violência e casamentos antes dos 18 anos são as principais queixas das entrevistadas. Isso acontece porque, diante de desastres climáticos como enchentes, secas e ondas de calor extremas, os sistemas de saúde, educação e proteção são rapidamente interrompidos.
76% das entrevistadas afirmaram estar com dificuldades de acessar pelo menos um serviço de saúde reprodutiva ou sexual. Outros 28% observaram um aumento da violência contra mulheres e meninas, e 50% das participantes relataram dificuldade em acessar produtos menstruais ou água potável para higiene.
O relatório concluiu que quanto maiores forem as pressões sobre os sistemas de saúde e comunidades, causadas pelas mudanças climáticas, maiores devem ser os esforços para manter o acesso contínuo a eles.
A pesquisa aponta que mulheres e meninas que foram expostas à educação continuamente têm mais informações sobre seus direitos, saúde e serviços disponíveis. Segundo a ONG, esta é uma das proteções mais importantes para elas. Mantê-las na escola antes, durante e depois de emergências climáticas diminui significativamente o casamento antes dos 18 anos e gravidezes indesejadas.
O estudo devolve a responsabilidade às ONGs, governos e à comunidade internacional. As principais medidas de resolução incluem: manter as meninas nas escolas, garantindo acesso integral à educação antes, durante e depois de eventos climáticos; investir na saúde de mulheres e meninas, garantindo acesso a serviços de saúde, contraceptivos e produtos de higiene; alcançar as meninas e mulheres mais vulneráveis em contextos de crise; e colocá-las no centro das discussões a respeito de políticas públicas, respostas humanitárias e investimentos sobre as mudanças climáticas.


