O candidato do Avante à Presidência, Augusto Cury, não declarou apoio a nenhum dos dois postulantes no segundo turno e afirmou, em nota divulgada na noite deste domingo (4), que seu projeto político “não termina com a eleição”. Com 99,20% das urnas apuradas, o escritor aparecia em 3º lugar, com 3.429.197 votos, 2,90% do total.
Em mensagem divulgada após a divulgação do resultado quase total do primeiro turno, Cury agradeceu aos eleitores que apoiaram sua candidatura e defendeu a continuidade das propostas apresentadas durante a campanha. Ele voltou a pregar a “superação da polarização política”.
Cury cumprimentou os dois candidatos que avançaram ao segundo turno e afirmou torcer para que o vencedor governe levando em consideração as propostas apresentadas por sua campanha. A próxima etapa será disputada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), que tinha 55.830.839 votos (47,18%), e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que teve 53.259.137 (44,99%).
— Presidentes passam. Partidos passam. Gerações passam. Mas uma nação precisa continuar sonhando — afirmou.
Escritor e médico, Cury entrou na corrida presidencial sem trajetória anterior na política eleitoral. Durante a campanha, tentou ocupar um espaço distante tanto do PT quanto da direita bolsonarista, apresentando-se como uma alternativa à polarização. A candidatura ganhou destaque, chegando a alcançar 10% das intenções de voto na pesquisa Genial/Quaest divulgada no início de setembro, mas não conseguiu transformar esse movimento em votação de dois dígitos na reta final.
Na nota, Cury disse que queria propor um novo modelo de política e de liderança, baseado no que chamou de “mente capitalista e coração social”, frase repetida durante toda a campanha. — Um sonho compartilhado por milhões não termina com uma eleição: ele passa a morar no coração de quem acreditou — escreveu.
Cury também voltou a defender as principais propostas de seu programa de governo, entre elas o fim da reeleição presidencial, mandatos fixos de oito anos para ministros do Supremo Tribunal Federal e a adoção do “semi-presidencialismo”. O candidato afirmou ainda que a democracia brasileira dá sinais de “asfixia” e criticou o que considera um excesso de protagonismo do STF.
Ao fazer um balanço da campanha, Cury afirmou que seu objetivo era superar a polarização política e defendeu que adversários deixem de ser tratados como inimigos. — Quero pacificar este país. Quero que um conservador consiga ouvir um progressista sem odiá-lo; que um progressista consiga conversar com um conservador sem desumanizá-lo; que possamos criticar ideias sem destruir pessoas — disse.


