As construtoras de média e alta renda lideraram o rali da Bolsa após o primeiro turno das eleições, com Cyrela e Eztec superando o Ibovespa em 10,7 e 9,2 pontos percentuais, respectivamente, segundo cálculos do Goldman Sachs. O índice avançou 7,7% no pregão analisado pelo banco.
O Goldman Sachs calcula que as incorporadoras brasileiras tiveram, como grupo, o melhor desempenho relativo ao Ibovespa no pregão posterior ao primeiro turno entre os ciclos eleitorais analisados. Em média, as empresas superaram o índice em 3,2 pontos percentuais, contra 2 pontos em 2018 e 0,5 ponto em 2014 e 2022.
A reação foi mais contida entre as incorporadoras de baixa renda. A Direcional superou o índice em 0,3 ponto, enquanto Cury e Tenda ficaram 0,9 e 3,7 pontos percentuais abaixo, respectivamente. A exceção foi MRV, 3,7 pontos acima do Ibovespa.
A mudança pós-eleitoral está na expectativa para os juros, com o JPMorgan passando a enxergar maior probabilidade de um cenário fiscal que permita compressão das taxas longas. O banco elevou Cyrela e Eztec de neutro para overweight, enquanto rebaixou Cury, Direcional e Tenda de overweight para neutro. MRV permanece neutra.
O JPMorgan trabalha com preço-alvo de R$ 34,50 para Cyrela em dezembro de 2027. Segundo o banco, cerca de 40% dos resultados estão ligados ao segmento de baixa renda, e a operação de home equity CashMe poderia valer aproximadamente R$ 3 bilhões, ou R$ 6,50 por ação. O Goldman Sachs também mantém recomendação de compra, com a ação negociando a 6,5 vezes o lucro esperado para os 12 meses seguintes.
Para Eztec, o JPMorgan elevou a recomendação para overweight, com preço-alvo de R$ 19. O Goldman Sachs, por sua vez, mantém recomendação de venda, com preço-alvo de R$ 13, ante os R$ 17,10 do papel em 5 de outubro.
Entre as empresas de baixa renda, o Goldman mantém compra para Cury, Direcional e Tenda, com preços-alvo de R$ 43, R$ 18 e R$ 33, respectivamente. O JPMorgan rebaixou as três para neutro, citando possíveis revisões negativas de lucros diante da maior restrição de crédito da Caixa, pressão inflacionária de custos e incerteza sobre a política habitacional.


