O megainvestidor Ray Dalio, fundador da Bridgewater, afirmou nesta quarta-feira (7) que a inteligência artificial é uma “bolha clássica” que está perto de estourar, pressionada pela alta das taxas de juros e pela necessidade de transformar riqueza em dinheiro. A declaração foi feita durante a Conferência Global de CEOs da Forbes, em Cingapura.
Dalio disse que uma enorme quantidade de dívida está sendo contraída para financiar a IA. “Estamos na parte do ciclo que antecede isso, mas estamos nos aproximando desse ponto. Acho que estamos perto disso”, afirmou.
As gigantes de tecnologia gastam centenas de bilhões de dólares em IA, cada vez mais financiados por dívida, enquanto os ganhos do mercado se concentram em um pequeno grupo de ações. Os rendimentos dos títulos de dívida em todo o mundo dispararam para os níveis mais altos em décadas, aumentando o custo do financiamento.
Ainda assim, as avaliações das ações continuam subindo, com o otimismo em relação aos lucros das empresas de tecnologia levando os índices S&P 500 e Nasdaq 100 a máximas históricas nesta semana. Dalio, que há muito tempo alerta para uma bolha de IA, citou outros fatores que poderiam desencadear seu colapso, como impostos sobre a riqueza.
“Todo mundo diz: ‘Eu valho US$ 1 bilhão’, mas, tudo bem, tente gastar esse dinheiro. Para gastar isso, você precisa vender patrimônio para obter dinheiro — e é aí que, normalmente, a bolha começa a estourar”, disse.
Em entrevista à Bloomberg, Dalio alertou que os títulos do Tesouro americano estão vulneráveis a uma redução na demanda da China e do Japão, dois dos maiores credores estrangeiros dos EUA. “Os chineses não querem continuar a acumular dívidas — existem questões geopolíticas, bem como questões econômicas”, afirmou.
O fundador da Bridgewater reiterou o alerta de que os EUA podem enfrentar uma crise da dívida dentro de três anos. Os juros dos títulos do Tesouro americano de dez anos estão em torno de 5,3%, próximos de níveis vistos pela última vez em 2002. Os títulos globais acumulam perda de 3% neste ano, segundo dados compilados pela Bloomberg.
Dalio também disse que a França “atingiu o limite de endividamento”. O Japão, maior detentor estrangeiro de títulos do Tesouro dos EUA, e a China já vêm reduzindo as posições. O estoque oficial de Treasuries na China continental caiu de um pico de US$ 1,3 trilhão em 2013 para cerca de US$ 618 bilhões em julho.

