O bilionário Ray Dalio alertou que os títulos do Tesouro dos Estados Unidos estão vulneráveis a uma redução da demanda por parte da China e do Japão, dois dos maiores credores estrangeiros do país, em meio a fortes oscilações no mercado neste ano.
Os Estados Unidos dependem de capital estrangeiro para financiar cerca de um terço de sua dívida, e boa parte desse financiamento vem do Japão e da China, afirmou Dalio, fundador da Bridgewater Associates, à Bloomberg Television em Singapura nesta terça-feira (6).
“Os chineses não querem continuar acumulando [Treasuries] e há questões geopolíticas, além de questões econômicas”, disse. “Quando existe uma relação credor-devedor e, ao mesmo tempo, uma relação de adversários, essa dinâmica se torna muito difícil.”
Ele acrescentou que o Japão emprestou “muito dinheiro” aos Estados Unidos e agora quer recuperar parte desses recursos.
Os comentários vieram após o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, tentar tranquilizar investidores ao afirmar que uma combinação de crescimento econômico e contenção de gastos começará “muito rapidamente” a alterar a trajetória do endividamento do governo americano. Em evento na Pensilvânia na noite de segunda-feira (5), Bessent afirmou que o governo começará a “mudar a curva” da dívida.
Os rendimentos dos Treasuries de 10 anos giram em torno de 5,3%, próximos dos níveis registrados pela última vez em 2002. Os títulos globais acumulam perda de 3% no ano, segundo dados compilados pela Bloomberg. No mesmo período, os Treasuries recuam 2,8%.
Dalio afirmou que a França atingiu seu “limite de endividamento”, ampliando as preocupações dos investidores de que o mercado de dívida do país enfrenta um momento decisivo. O Japão, maior detentor estrangeiro de Treasuries, e a China já vêm reduzindo suas posições nesses títulos. As participações japonesas caíram US$ 12,8 bilhões em julho, para US$ 1,1 trilhão. Na China continental, os investimentos oficiais caíram de um pico de US$ 1,3 trilhão em 2013 para cerca de US$ 618 bilhões em julho.
Dalio também comentou sobre o aumento das pressões de financiamento enfrentadas pelas grandes empresas de tecnologia que investem em inteligência artificial. “Antes, elas levantavam recursos por meio de capital próprio; agora precisam recorrer ao mercado de dívida”, afirmou. O investidor alertou ainda que diversos fatores podem provocar o estouro da bolha da IA. “Algo como um imposto sobre grandes fortunas teria esse efeito, ou a necessidade de quitar empréstimos”, disse.


