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Datafolha: 68% dos eleitores apoiam canetas emagrecedoras no SUS

Carla Fernandes
Última atualização: 1 de outubro de 2026 23:16
Carla Fernandes
Tempo: 4 min.

Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (1º) mostra que 68% dos eleitores brasileiros são favoráveis à oferta gratuita das canetas emagrecedoras pelo SUS para o combate à obesidade. Outros 26% são contra, 3% se dizem indiferentes e 3% não opinaram. O levantamento foi feito entre 29 de setembro e 1º de outubro.

Foram entrevistadas 2.506 pessoas em 152 municípios, com eleitores de 16 anos ou mais de todas as regiões do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o código BR-08039/2026.

Antes de responder, os entrevistados foram informados de que o governo federal anunciou a intenção de fornecer os medicamentos gratuitamente pelo SUS. A aprovação é majoritária em todas as variáveis sociodemográficas, com índice mais alto entre quem tem 16 a 24 anos (73%). Não há diferença relevante entre homens e mulheres, respectivamente 67% e 69%.

Na análise por intenção de voto para presidente, a taxa de favoráveis é mais alta entre os eleitores de Lula (PT), com 84%, do que entre os de Flávio Bolsonaro (PL), com 52%. A oferta foi apresentada por Lula como promessa de campanha à reeleição.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), nega que haja oportunismo eleitoral na medida. Ele afirma que o plano é levar as canetas a “milhões” de pacientes da rede pública, a um custo estimado de R$ 1,5 bilhão por ano. O público que receberá o remédio, a data de início e o custo médio por tratamento ainda não estão definidos.

Em 24 de setembro, o ministério pediu à Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS), responsável pela incorporação de medicamentos no sistema público, que elaborasse um protocolo de uso para pacientes com obesidade. Segundo a pasta, o grupo corresponde a 25% da população. A área técnica da comissão ainda vai propor quais pacientes seriam elegíveis, com base em critérios como grau de obesidade, diabetes e outras comorbidades, e calcular o custo da distribuição.

A Conitec já rejeitou a entrada das canetas no SUS. Em agosto de 2025, negou pedido da Novo Nordisk, fabricante de Ozempic e Wegovy. A comissão calculou que a oferta custaria R$ 6,8 bilhões em cinco anos para atender algumas dezenas de milhares de pacientes, com gasto de mais de R$ 12 mil por paciente ao ano. Além do preço, apontou a falta de políticas complementares na rede pública, como suporte psicológico e acompanhamento físico, e afirmou que o remédio isolado pode não ser efetivo como política de saúde.

Recentemente, Padilha disse que esse cenário mudou. Ele cita três razões: a OMS (Organização Mundial de Saúde) passou a recomendar as canetas como parte das estratégias contra a obesidade; mais de dez canetas com semaglutida entraram no mercado em 2026; e a escala de compras do SUS, somada à produção nacional, pode reduzir os preços em 80% a 90%. Se cada tratamento custar R$ 1.000 por ano, valor muito abaixo do praticado no mercado, o orçamento citado pelo ministro atenderia 1,5 milhão de pacientes.

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