A defesa de Daniel Vorcaro confirmou que a voz em áudio sobre pagamentos relacionados a um filme sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é a do fundador do Banco Master. O advogado criminalista Daniel Bialski disse ao Poder360 na 6ª feira (9.out.2026), porém, que seu cliente nunca falou “nada sobre isso” com ele e que “jamais” foi ouvido pela Polícia Federal ou outro órgão sobre esse tema.
“A voz realmente é dele em um dos áudios, porém não saberia dizer quando e em qual circunstâncias isso foi gravado”, disse Bialski ao Poder360. O advogado afirmou que assumiu a defesa de Vorcaro para elaborar uma nova proposta de delação premiada e que não participou das tratativas anteriores.
Bialski declarou que só Vorcaro poderá confirmar ou não o teor dos fatos mencionados no áudio. “Eu não era advogado dele quando das tratativas de colaboração premiada. Ainda não sou perito, mas pelo convívio esses meses com ele, um dos áudios realmente parece ele falando. Porém, o conteúdo dos fatos só o cliente pode confirmar ou não. Reafirmo que para mim nunca falou nada sobre isso. E reitero que jamais foi ouvido pela PF ou outro órgão sobre esse tema”, disse Bialski em nota enviada ao Poder360.
A reportagem da Veja afirma que as informações dadas por Vorcaro “estão registrados num anexo levado à Procuradoria Geral da República em junho passado –quando a 2ª proposta de delação foi descartada”. A Procuradoria Geral da República afirmou na 6ª feira (9.out.2026) que não houve depoimento oral durante as tratativas de delação premiada. A Polícia Federal declarou que não recebeu documentos, anexos ou informações relacionados ao material.
O áudio é apresentado como um arquivo obtido pela Veja. A revista, contudo, não dá detalhes sobre a data em que o áudio foi produzido, as circunstâncias em que a gravação foi feita nem se havia sido autorizada pelo fundador do Master. As propostas de colaboração premiada apresentadas pela defesa do banqueiro foram rejeitadas por não atenderem aos requisitos legais por falta de provas.
Segundo a Veja, Vorcaro afirmou em proposta de delação apresentada à PGR que pagou R$ 30 milhões ao Instituto Lula para ajudar a financiar um filme sobre o presidente. Em troca, de acordo com a reportagem, o ex-banqueiro tentou acessar fundos de pensão controlados por petistas. O ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto teria intermediado as negociações. A reportagem afirma que, segundo o fundador do Master, Vaccari exigiu uma taxa de 10% de tudo o que o Master captasse junto aos fundos. A expectativa era que, se a operação desse certo, o PT conseguiria R$ 1 bilhão e o então banqueiro, R$ 9 bilhões.
Em nota, a campanha de Lula disse na 6ª feira (9.out) ser “estarrecedor” que a revista publique uma reportagem com “acusações gravíssimas sem apresentar uma única prova”. Chamou o texto de “irresponsável”. Paulo Okamotto, ex-presidente do Instituto Lula, negou ter recebido dinheiro. “Em relação ao documentário ‘Lula’, de Oliver Stone, é uma iniciativa exclusiva do próprio Oliver Stone, e não do Instituto Lula. O Instituto Lula e eu nunca estivemos envolvidos na produção e na captação de recursos. Nunca recebemos recursos para a realização do filme”, declarou.
A defesa de Augusto Lima chamou as informações da reportagem de “narrativa falsa” e afirmou que são “baseadas em relatos mentirosos, falsos e delirantes, supostamente apresentados em uma proposta de delação recusada pelas autoridades”. Mensagens extraídas do celular de Vorcaro mostram que há uma menção ao cineasta em um diálogo entre o fundador do Master e o advogado Walfrido Warde. Em 29 de outubro de 2022, Warde, que foi um dos entrevistados para o documentário, enviou 3 imagens a Vorcaro e a seguinte mensagem: “Filme do Oliver Stone”. O fundador do Master respondeu: “Toppp”.

