O ex-procurador da Operação Lava Jato Deltan Dallagnol (Novo) apareceu emocionado em vídeo publicado nas redes sociais depois que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) adiou o julgamento sobre sua candidatura ao Senado pelo Paraná. Ele recebeu 2.904.594 votos no primeiro turno, no último domingo (4), mas ainda depende de decisão definitiva da Corte para assumir o mandato.
Na gravação, Deltan afirma que sairá vitorioso independentemente do resultado do processo. Ele cita Deus e a Bíblia e sustenta que a votação já representou uma vitória política. “Deltan, e tua eleição vai valer? Ela já valeu”, declarou. “Vamos lutar até o fim juntos. Deus nos dará a vitória, de um jeito ou de outro.”
Em seguida, disse que espera a confirmação da candidatura, mas admitiu a possibilidade de uma nova eleição. O ex-procurador também acusou o ministro Floriano de Azevedo Marques, relator do caso, de censurá-lo. Deltan criticou a decisão que suspendeu seus atos de campanha e afirmou que a medida favoreceria a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT), que disputou uma das vagas ao Senado e terminou em quarto lugar.
O TSE adiou a análise do caso nesta quinta-feira (8). A Corte ainda não anunciou nova data para o julgamento. O processo questiona a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), que havia autorizado a candidatura por 4 votos a 3.
Na véspera da eleição, Floriano determinou o indeferimento do registro. No domingo, porém, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, suspendeu os efeitos da decisão e restabeleceu provisoriamente a candidatura. Com isso, os votos recebidos por Deltan voltaram a ser contabilizados enquanto o plenário não decide o caso.
O recurso foi apresentado por adversários políticos que contestam a elegibilidade do ex-procurador. A discussão está relacionada à saída dele do Ministério Público Federal, em 2021, quando havia procedimentos em tramitação. Em 2023, o TSE cassou seu mandato de deputado federal por entender que a exoneração ocorreu em circunstâncias que buscavam evitar a aplicação da Lei da Ficha Limpa.
A Procuradoria-Geral Eleitoral, por outro lado, defendeu a manutenção do registro em parecer apresentado antes da eleição. Se o TSE rejeitar definitivamente a candidatura, os votos poderão ser anulados e uma nova eleição para a vaga no Senado poderá ser necessária.

