A vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno da eleição presidencial, contrariando pesquisas divulgadas na véspera, surpreendeu a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O resultado deve dar força a uma ala do governo e do PT que pressionava por mudanças radicais na comunicação da candidatura, com acirramento dos ataques ao adversário e foco em temas como o custo de vida.
Em conversas reservadas ao longo da semana passada, membros do governo consideravam essencial que Lula ficasse na frente no primeiro turno. A avaliação era a de que reverter o quadro de vantagem de Flávio seria muito difícil. Desde a redemocratização, nunca houve uma virada nas eleições presidenciais do primeiro para o segundo turno.
A campanha já convocou políticos aliados que disputaram vagas ao Senado e aos governos estaduais para uma reunião com o petista nesta segunda-feira, em Brasília, para discutir o rumo da candidatura. Também deverão comparecer representantes dos partidos da base aliada. Está nas prioridades buscar a manutenção da neutralidade de partidos do Centrão, evitando que eles apoiem o nome de Flávio.
A avaliação de cardeais dessas siglas é que Lula deixou de ser favorito e a expectativa de poder migrou para Flávio. Aliados do presidente falam em buscar acordos com lideranças nos estados, citando o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e políticos de PSD e MDB, sobretudo no Nordeste. A federação União-PP e o Republicanos anunciaram reuniões no começo da semana para definir posicionamento no segundo turno.
Os aliados de Lula colocavam as fichas na aprovação pelo Senado da PEC que acaba com a escala de trabalho 6×1 como principal trunfo eleitoral. Na sexta-feira, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), pautou a votação para a próxima terça-feira, num gesto ao petista. Agora, há dúvidas sobre o ritmo que Alcolumbre dará à tramitação, já que o senador busca se reeleger e deverá fazer gestos à direita bolsonarista.
Pesquisa da Quaest divulgada no fim de julho mostra que 69% da população apoia a medida. A campanha também acredita que pode melhorar nas pesquisas com o pagamento da primeira parcela do Bolsa Família com reajuste de 15%, a partir do dia 19 de outubro. O aumento foi anunciado pelo presidente no dia 17, dentro de um pacote que inclui o fim das bets e a distribuição de canetas emagrecedoras no SUS.
A disputa deve se concentrar no Sudeste, e São Paulo, Rio e Minas serão prioridade. Integrantes da coordenação apostam na chegada de aliados que estavam cuidando das eleições estaduais, como os ex-ministros Fernando Haddad, Gleisi Hoffmann e Camilo Santana. A ideia é fazer atos que mobilizem a militância, como na reta final do primeiro turno na Bahia, no Ceará e em São Paulo.


