As eleições de 2026 voltaram a ser alvo de uma onda de desinformação sobre as urnas eletrônicas. Sem apresentar provas, vídeos que circulam nas redes sociais associam o sistema brasileiro à empresa Smartmatic, citada em um relatório de inteligência dos Estados Unidos sobre supostas interferências na Venezuela. A Justiça Eleitoral nega qualquer ligação.
As narrativas falsas sobre o sistema eleitoral brasileiro, que marcaram o pleito de 2022, não desapareceram. Agora, circulam em versões mais elaboradas, muitas envolvendo acusações sem provas relacionadas à Venezuela e aos Estados Unidos.
Os ataques ganharam força durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, que defendia o voto impresso e questionava a confiabilidade das urnas. As declarações infundadas contribuíram para a condenação do ex-mandatário pela Justiça Eleitoral, que o tornou inelegível.
Uma das versões mais recentes tenta associar as eleições brasileiras à Smartmatic, fornecedora de tecnologia eleitoral usada em outros países. Em vídeos, usuários alegam que autoridades americanas teriam apresentado provas de que urnas ligadas à empresa seriam suscetíveis a fraudes e sugerem, sem evidências, que o mesmo ocorreria no Brasil.
As alegações exploram um relatório de inteligência dos EUA divulgado neste ano. O documento afirma que os governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro demonstraram interesse em manipular resultados eleitorais por meio de sistemas eletrônicos de votação. As suspeitas incluíam possíveis conversas envolvendo a Smartmatic sobre formas de interferência no processo eleitoral venezuelano. O próprio relatório, porém, não concluiu que houve fraude em larga escala.
No Brasil, a Justiça Eleitoral afirma que nunca utilizou urnas ou softwares desenvolvidos ou operados pela Smartmatic. O órgão esclarece que a empresa apenas prestou serviços de comunicação de dados e voz em eleições anteriores, sem participação no desenvolvimento ou na operação das urnas eletrônicas brasileiras.
Apesar disso, a informação enganosa continuou a circular. Em julho, o senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, afirmou que muitas das máquinas usadas nas eleições brasileiras teriam a mesma origem da empresa venezuelana citada nas denúncias. O parlamentar não apresentou fontes para sustentar a alegação. Posteriormente, disse, em nota, que não havia questionado a integridade do sistema eleitoral.
Especialistas alertam que esse tipo de desinformação pode abrir espaço para questionamentos infundados sobre resultados e para tentativas de deslegitimar a vontade expressa pela maioria dos eleitores. Em resposta, a Justiça Eleitoral intensificou ações de transparência. Neste ano, o órgão desmontou uma urna eletrônica em transmissão nacional para explicar o funcionamento do equipamento e detalhar suas camadas de segurança. O sistema brasileiro, referência internacional em votação eletrônica, acumula décadas de uso sem registro de fraude comprovada capaz de alterar resultados.

