O Dia Nacional de Prevenção à Obesidade, celebrado em 11 de outubro, alerta que a doença é crônica e multifatorial, exigindo prevenção desde a infância. Dados do Atlas Mundial da Obesidade 2026, da World Obesity Federation (WOF), indicam que o Brasil tem 38,4% das crianças e adolescentes acima do peso, quase o dobro da média global.
Segundo a WOF, metade da população do planeta — quase 4 bilhões de pessoas — estará vivendo com sobrepeso ou obesidade até 2035. O aumento atinge também crianças, especialmente em países de baixa e média renda como o Brasil.
O documento aponta que mais de 200 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos com sobrepeso e obesidade estão concentrados em apenas 10 países. No Brasil, 7 milhões de crianças vivem com obesidade.
“Os dados são muito preocupantes, uma vez que a obesidade na infância, muitas vezes, persiste na idade adulta. Com isso, aumenta o risco de enfermidades não transmissíveis como diabetes, doenças cardíacas e alguns tipos de câncer”, afirma a engenheira de alimentos Helena Sanae Kajikawa, gerente da Divisão Ciências e Pesquisas da Yakult do Brasil.
Ela alerta que o excesso de peso está associado a problemas graves de saúde também na infância e na adolescência, como hipertensão, diabetes e alterações glicêmicas. Outros problemas são dislipidemia, triglicerídeos elevados, gordura no fígado, gota, distúrbios cerebrovasculares, arteriosclerose e doença cardíaca isquêmica na idade adulta.
A obesidade pediátrica também está ligada a transtornos de saúde mental, incluindo depressão, ansiedade e baixa autoestima, que podem exacerbar comportamentos não saudáveis.
Um estudo japonês avaliou se a proliferação de bifidobactérias no intestino de crianças obesas poderia melhorar a obesidade e complicações associadas. Os cientistas observaram reduções de peso e de gordura, além de aumento nas concentrações fecais de bifidobactérias e ácido acético, após a ingestão de leite fermentado com Lactobacillus casei Shirota (LcS).
Uma meta-análise de 2023, com 206 crianças, concluiu que probióticos podem regular o metabolismo lipídico e melhorar sintomas associados à obesidade. Os pesquisadores recomendam cuidar da microbiota intestinal desde a infância, com alimentação equilibrada e atividade física.

