O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta sexta-feira (9) ter recebido “milhares” de ameaças de assassinato e agressões nas redes sociais, identificadas a partir de relatório de Segurança da Corte. O magistrado disse que as mensagens não vão alterar sua atuação profissional, mas alertou que, quando um juiz passa a ter medo de decidir por risco de perseguições, “não existe mais Poder Judiciário nem Constituição”.
Em publicação nas redes sociais, Dino afirmou que o ódio contido nas ameaças deriva da “repetição de mentiras, visando causar violência”. “Se as pessoas não concordam com decisões judiciais, elas podem recorrer aos Colegiados competentes. Não precisa matar o juiz que tomou a decisão, nem fazer discursos raivosos incitando perseguições e agressões”, alertou.
“Em nada alterarei a minha atuação profissional, pois nunca minha perna ou minha mão tremeram, nem minha voz se alterou”, completou o ministro.
Na quinta-feira (8), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) afirmou em nota que acionou a Polícia Federal após identificar “movimentos crescentes de ataques a servidores da Justiça Eleitoral”.
“Até o início da tarde de hoje, foram registradas aproximadamente 30 mil manifestações nas redes com desinformação, exposição indevida de informações pessoais, discurso de ódio e ameaças veladas, inclusive contra familiares”, diz o texto do TSE.
O relatório de segurança do STF que identificou as ameaças a Dino não foi divulgado publicamente. A Corte não comentou o assunto até a publicação desta matéria.

