O dólar fechou em forte queda de 4,23% nesta segunda-feira (5), cotado a R$ 4,95, o menor patamar desde maio, após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais. O movimento, que também impulsionou o Ibovespa, foi puxado pela percepção de maior probabilidade de mudança no rumo das expectativas fiscais, segundo o UBS BB.
O banco afirmou que já estava posicionado para esse cenário, com posições compradas em ações brasileiras e no real, por meio de opções digitais de venda de dólar com vencimento em nove meses e preço de exercício em R$ 4,50.
Para a casa, a proximidade com R$ 5,00 no curto prazo já era esperada, considerando o fechamento de R$ 5,22 na sexta-feira. Se o segundo turno confirmar o resultado do primeiro e os preços do petróleo continuarem favoráveis, a projeção é de recuo para a faixa de R$ 4,50 a R$ 4,60 nos próximos três a seis meses.
O movimento cambial brasileiro também foi observado em outros países da América Latina em momentos de mudança de governo, como na Colômbia, segundo o UBS. A diferença, no caso do Brasil, está no ponto de partida: o modelo de avaliação cambial do banco, baseado em diferenciais de juros, risco-país, balança comercial e conta corrente, posiciona o real próximo do valor justo, com dólar a R$ 5,10, ante a cotação de cerca de R$ 5,22 antes do primeiro turno.
O UBS BB considera possível uma apreciação maior se ficar mais claro para o mercado que há probabilidade maior de o Brasil estabilizar a relação dívida/PIB. Entre os riscos, o banco elenca a mudança de preferência dos eleitores como o maior, já que o movimento foi causado por força da direita maior que a esperada.
Em horizonte mais longo, os analistas afirmam que será importante acompanhar quem será escolhido para liderar a equipe econômica do próximo presidente e o grau de ambição do plano de consolidação fiscal. Também alertam para riscos de execução no Congresso, relacionados à aprovação de reformas nos gastos obrigatórios, e para uma deterioração das condições financeiras globais, que pode prejudicar os ativos brasileiros independentemente do ciclo político doméstico.


