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Dólar fecha em leve alta a R$ 5,0289 com CPI dos EUA acima do esperado

Carla Fernandes
Última atualização: 14 de outubro de 2026 21:15
Carla Fernandes
Tempo: 4 min.

O dólar fechou em leve alta de 0,17%, a R$ 5,0289, nesta quarta-feira (14), após tocar R$ 5,05 pela manhã, com a inflação americana acima do esperado reforçando apostas de aperto monetário nos EUA. O Ibovespa caiu 0,18%, aos 206.505,98 pontos, e os juros futuros subiram, em dia de cautela eleitoral.

Após rondar R$ 5,03 nas últimas horas do pregão, o dólar à vista terminou o dia com ganho de 0,17%, a R$ 5,0289. A moeda americana ainda recua 2,82% em outubro, o que leva a desvalorização acumulada em 2026 a 8,38%. O real tem o segundo melhor desempenho entre as moedas mais líquidas no ano, atrás apenas do peso colombiano.

Dados do Banco Central mostram entrada expressiva de dólares no país na semana passada, após o primeiro turno da eleição presidencial. O fluxo cambial entre 5 e 9 de outubro foi positivo em US$ 2,416 bilhões, com entrada líquida de US$ 4,127 bilhões pelo canal financeiro. Em outubro, até o dia 9, o fluxo total é positivo em US$ 3,214 bilhões.

O economista e sócio-fundador da Eytse Estratégia, Sérgio Goldenstein, afirmou que o real apresentou, com folga, o melhor desempenho entre as moedas emergentes na semana passada. Segundo ele, o movimento refletiu a queda do prêmio de risco, os ingressos líquidos no mercado à vista e as movimentações em derivativos cambiais na B3. Investidores não residentes reduziram, no período, a posição comprada em dólar em US$ 3,1 bilhões.

O gatilho para a escalada do dólar foi o índice de preços ao consumidor (CPI) americano de setembro. O índice cheio acelerou em linha com o esperado, mas o núcleo superou as estimativas. A ferramenta FedWatch, do CME Group, chegou a mostrar, pela manhã, chances de mais de 50% de nova alta de juros pelo Federal Reserve em outubro. No fim da tarde, as apostas indicavam cerca de 60% de probabilidade de manutenção neste mês.

No exterior, o índice DXY subia 0,35% por volta das 17h, aos 102,534 pontos, após atingir a máxima de 102,945 pontos pela manhã, o maior nível em 18 meses. Os preços do petróleo fecharam em leve alta, com o barril do Brent a US$ 106, em meio à continuidade dos ataques no Oriente Médio.

O operador sênior da AGK Corretora, Fernando Cesar, observou que a pesquisa do BTG/Nexus, divulgada na terça, mostrou o estreitamento da vantagem de Flávio Bolsonaro, o que tirou certo fôlego do real e levou a taxa de câmbio de volta ao nível de R$ 5,00. “Se as próximas pesquisas não trouxerem novidade, o dólar pode cair um pouco. Se a diferença diminuir, podemos ver aumento das tensões”, afirmou.

Na Bolsa, a alta da Petrobras não foi suficiente para sustentar o Ibovespa. A petroleira subiu 2,22% (PN) e 1,94% (ON), enquanto Vale (-0,66%) e grandes bancos caíram. O giro financeiro ficou em R$ 31 bilhões. No mês, o Ibovespa sobe 10,8%. Os juros futuros subiram, com o DI para janeiro de 2028 a 12,735%, de 12,696% no ajuste anterior.

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