O dólar voltou a subir e fechou a R$ 5,087 na quinta-feira (15), alta de 1,17%, na terceira sessão consecutiva de valorização. O movimento ocorre após a moeda ter caído abaixo de R$ 5 na reação inicial ao primeiro turno das eleições. O economista Rafael Perretti, da Clear Corretora, afirma que o fluxo de capital estrangeiro será decisivo para os próximos níveis.
Na quinta-feira (15), o dólar à vista avançou 1,17%, encerrando a R$ 5,087. O movimento contrasta com a reação inicial do mercado ao resultado eleitoral, quando a divisa chegou a negociar abaixo de R$ 5, após ter fechado a sessão anterior ao pleito a R$ 5,2165.
Para Rafael Perretti, economista da Clear Corretora, a valorização do real observada após o primeiro turno esteve associada principalmente ao ingresso de capital estrangeiro e à melhora das perspectivas econômicas. “Se eles permanecerem na Bolsa, continuarem entrantes, isso deve favorecer um dólar mais barato”, afirma.
No primeiro pregão após o primeiro turno, em 5 de outubro, o dólar à vista abriu a R$ 4,9760, com queda de 4,61%. Perretti identifica dois fatores centrais: a entrada de capital estrangeiro e a revisão das expectativas para os juros no Brasil. As projeções do Boletim Focus recuaram de 13,75% para 13,25% ao ano no fechamento de 2026, indicando espaço para corte de 0,50 ponto percentual até dezembro.
No campo técnico, o minidólar futuro testa a região de 5.081/5.085 pontos, que reúne uma antiga área de suporte e a mínima anual. “O que era uma região de suportes se tornou uma região de resistência”, explica Perretti. Caso o contrato supere esse nível, pode abrir espaço para retomada mais ampla; abaixo, os suportes ficam em 4.995,5 e 4.978/4.969 pontos.
O economista também alerta para o risco fiscal. “Se a gente começar a incorrer num risco fiscal, os investidores podem recorrer a uma moeda de proteção, que no caso seria o dólar”, ressalta. Ele não considera esse o cenário-base neste momento, mas afirma que a proximidade do segundo turno mantém a possibilidade de mudanças nas expectativas.
Perretti chama atenção para o impacto de uma valorização mais intensa do real sobre exportadoras. Em um cenário com dólar a R$ 4,50, empresas com receitas em moeda estrangeira podem enfrentar pressão. Nos dois primeiros pregões após o primeiro turno, enquanto o Ibovespa subiu 7,14%, Suzano (SUZB3) caiu 5,93%, Embraer (EMBJ3) recuou 4,17% e Vale (VALE3) teve baixa de 2,40%.
Para Petrobras (PETR4), o efeito do câmbio pode ser compensado pelas commodities. “Enquanto o petróleo permanecer forte, num patamar elevado, as empresas petrolíferas podem se beneficiar, mesmo com o dólar ainda em queda”, explica Perretti.

