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Dólar sobe e Bolsa cai com empate entre Flávio e Lula

Carla Fernandes
Última atualização: 15 de outubro de 2026 18:37
Carla Fernandes
Tempo: 3 min.

O Ibovespa recuava 0,89% nesta quinta-feira (15), aos 204.667 pontos, pressionado pelo empate técnico entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) na pesquisa Quaest e pelo avanço do fim da escala 6×1 no Senado. O dólar subia 0,51%, cotado a R$ 5,056.

A nova pesquisa Quaest mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 46% das intenções de voto e o presidente Lula (PT) com 44%. A margem de erro é de dois pontos percentuais. Votos em branco ou nulo somaram 9%, e 1% se declarou indeciso.

Para Rodrigo Marcatti, economista e CEO da Veedha Investimentos, a combinação dos dois fatores tende a pressionar os ativos brasileiros. Parte do mercado vê com bons olhos uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro, pela expectativa de maior compromisso com o ajuste fiscal. Já a proposta de redução da jornada gera preocupação com o aumento dos custos das empresas.

No câmbio, o movimento foi na contramão do exterior. O índice DXY, que mede o dólar ante uma cesta de divisas fortes, recuava 0,47%. Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, afirmou que a aprovação da proposta reacendeu o debate sobre custos trabalhistas, produtividade e efeitos fiscais.

Um estudo da Warren Investimentos estima que a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas poderia elevar o IPCA em 0,38 a 0,42 ponto percentual. Segundo a análise, o aumento do custo por hora de trabalho poderia ser repassado aos preços.

As maiores quedas do pregão eram de setores sensíveis à mão de obra, como varejo, farmácias, shoppings, hospitais e supermercados. Lojas Renner, C&A, Assaí, Azzas e Iguatemi recuavam. Vale e Petrobras também caíam, acompanhando o recuo do petróleo no exterior — o Brent caía 1,35%, a US$ 104.

Gabriel Mota, analista da Manchester Investimentos, disse que a Bolsa já perdia força desde a véspera, com a pesquisa Quaest divulgada na noite anterior. O movimento também reflete tensões no Oriente Médio e pressões inflacionárias nos EUA.

Nos juros futuros, contratos para janeiro de 2028 eram negociados a 12,805%, e os para janeiro de 2035, a 12,725%. Nos EUA, o PPI subiu 1,3% em setembro, acima da expectativa de 0,5%, a maior alta mensal desde março de 2022.

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