O governador eleito do Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL), herdará um orçamento com déficit previsto de R$ 13,98 bilhões, folha de pagamento 6,23% mais cara e risco de queda de quase 20% na receita do petróleo em 2027, segundo dados oficiais da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag).
Levantamento com base em dados da Seplag mostra que a folha mensal do Poder Executivo passou de R$ 3,27 bilhões para R$ 3,47 bilhões entre janeiro e agosto de 2026. São R$ 203,9 milhões a mais por mês para pagar servidores ativos, aposentados e pensionistas. No mesmo período, o número de vínculos caiu em 3.752.
Parte do aumento está ligada à recomposição salarial autorizada pela Lei estadual nº 9.436, de outubro de 2021, sancionada no governo de Cláudio Castro (PL). A primeira parcela, de 5,62%, foi paga em agosto. A segunda, também de 5,62%, está prevista para novembro e não aparece no levantamento.
Os reajustes, uma vez incorporados, viram despesa permanente. Diferentemente de obras, que podem ser adiadas, salários e aposentadorias são obrigações que pesam nos anos seguintes.
A Fitch Ratings projeta que o barril do petróleo Brent caia de US$ 87, média estimada para 2026, para US$ 70 em 2027. A redução é de aproximadamente 19,5%. O Rio depende de royalties e participações especiais, que variam conforme o preço internacional, a produção e o câmbio.
O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, enviado pelo governador em exercício Ricardo Couto à Alerj, prevê despesas de R$ 138,37 bilhões e receita líquida de R$ 124,39 bilhões. Com pessoal e encargos sociais, são R$ 80,85 bilhões, alta de R$ 9,64 bilhões ante 2026.
O Tesouro estadual deverá destinar R$ 23,8 bilhões para obrigações previdenciárias. O projeto reserva R$ 5,67 bilhões para investimentos, dos quais R$ 2,28 bilhões vinculados ao Propag. Ruas já anunciou que quer rever gastos e criar um teto de despesas, mas boa parte do orçamento é obrigatória.

