Um estudo realizado na China concluiu que uma educação rígida e autoritária aumenta o risco de sintomas depressivos e comportamento agressivo em crianças. A pesquisa, divulgada nesta terça-feira (13), confirma observações de especialistas: a coerção e a violência na criação deixam marcas profundas na saúde mental, podendo levar a transtornos como depressão e ansiedade.
A educação rígida vai além de episódios isolados de perda de controle. Trata-se de “diferentes formas de violência, disciplina e controle”, afirma o psiquiatra e psicólogo Stephan Bender, que dirige a Clínica e Policlínica de Psiquiatria, Psicossomática e Psicoterapia da Infância e Adolescência do Hospital Universitário de Colônia, na Alemanha.
Agressões físicas ou coerção corporal são apenas uma forma de violência. A outra é de natureza psicológica: críticas ofensivas, linguagem agressiva, manipulação ou privação de afeto. As crianças podem obedecer imediatamente, mas essa obediência motivada pelo medo tem um preço.
“Uma educação violenta promove situações de impotência, e estas são um importante fator de risco para a depressão”, afirmou Bender à DW. “Uma educação excessivamente rígida de forma crônica constitui, de fato, uma traumatização crônica.”
Segundo o psiquiatra, crianças que vivenciam repetidamente a experiência de não serem consideradas como pessoas podem ter mais dificuldade em perceber e regular suas emoções. Quem é criado sob violência e sem liberdade também não desenvolve a percepção de sua própria capacidade de agir e influenciar o ambiente, o chamado senso de autoeficácia.
Em sua prática clínica, Bender observa que os meninos tendem mais à externalização, com comportamento social problemático, podendo chegar a condutas criminosas. As meninas tendem à internalização: “desenvolvem problemas emocionais, depressão, transtornos de ansiedade ou até mesmo transtornos alimentares, sobretudo a partir da puberdade”.
Evelien van Assche, psiquiatra e médica-chefe da Clínica de Saúde Mental do Hospital Universitário de Münster, encontrou indícios de que a educação autoritária deixa marcas no DNA. Em sua tese de doutorado, ela pesquisou se a educação autoritária se reflete na epigenética de jovens. O resultado foi semelhante ao de estudos anteriores: os jovens que descreveram o ambiente familiar como mais violento apresentaram maior variação na metilação do DNA.
Van Assche afirma que o essencial é que os pais estejam emocionalmente disponíveis, ouvindo os filhos e levando a sério suas preocupações. “Se existe uma boa relação de base, então um momento isolado de irritação tem, naturalmente, um peso diferente.” Regras e limites também são importantes, desde que comunicados de forma aberta e clara.

