O histórico do Super El Niño de 1997-1998 voltou a ser usado como principal parâmetro para avaliar riscos de tempo severo e enchentes na Região Sul do Brasil. Meteorologistas comparam o fenômeno atual com aquele considerado um dos mais intensos da história recente, que teve outubro como mês mais crítico. As projeções indicam que Santa Catarina e Paraná correm maior risco de chuvas extremas.
Naquele período, o aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico desencadeou volumes excepcionais de chuva e alta frequência de tempestades. Os desdobramentos foram especialmente graves no Rio Grande do Sul, embora os especialistas ressalvem que cada episódio do fenômeno se desenvolve de forma única.
Entre 7 e 16 de outubro de 1997, um período ininterrupto de pluviosidade atingiu a bacia do Rio Uruguai. Em Uruguaiana, a precipitação alcançou aproximadamente 180 milímetros em 24 horas no dia 13. Como os temporais também castigaram o norte e noroeste do estado, a água convergiu rapidamente para o leito principal do rio.
A dimensão dos prejuízos levou a decretos de calamidade pública em Itaqui e Uruguaiana, onde as inundações forçaram cerca de 9 mil pessoas a abandonar suas moradias. Em Santa Catarina, a subida dos rios atingiu 37 municípios e desabrigou milhares de habitantes. No Paraná, o transbordamento do Rio Iguaçu afetou fortemente a região de União da Vitória.
Projeções de modelos computacionais como SEAS-5 europeu, UKMET britânico, ACCESS-S2 australiano, CFS norte-americano e o conjunto unificado do Centro Meteorológico Europeu sinalizam reprodução parcial desse panorama. A diferença geográfica central: enquanto em 1997 os acumulados mais severos concentraram-se no Oeste e Noroeste gaúchos, as simulações atuais indicam Santa Catarina e Paraná como áreas de maior risco.
Também se prevê a reincidência de tempestades severas, impulsionadas pelo ar aquecido e pela grande oferta de umidade. Em 1997, essa combinação causou intensa ocorrência de raios, queda de gelo e fortes rajadas de vento, com destelhamentos, prejuízos à infraestrutura e queda de árvores. O evento mais devastador ocorreu em Itaqui, em 28 de outubro de 1997, quando um tornado com rajadas estimadas em 250 km/h atingiu cerca de 3 mil imóveis e deixou 24 pessoas feridas.


