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Eleição deve elevar volatilidade da Petrobras, mas não muda fundamentos

Carla Fernandes
Última atualização: 2 de outubro de 2026 06:47
Carla Fernandes
Tempo: 3 min.

As eleições brasileiras podem elevar a volatilidade das ações da Petrobras (PETR3; PETR4), mas o resultado das urnas dificilmente provocará uma mudança substancial nos fundamentos da companhia, segundo analistas. Nos primeiros nove meses do ano, as ações PETR3 subiram 75% e as PETR4 tiveram ganhos de 68%, entre as maiores altas do Ibovespa no período.

Analistas de mercado enxergam o cenário eleitoral principalmente como um catalisador para valuation, percepção de risco e fluxo de investidores. Fatores como produção, geração de caixa e execução operacional devem continuar determinando o valor da estatal no médio e longo prazo.

O JPMorgan manteve recomendação overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra), com preço-alvo para dezembro de 2027 de R$ 62,50 para PETR3 e R$ 58,50 para PETR4. O BTG Pactual mantém recomendação de compra e a Petrobras como sua Top Pick em petróleo e gás no Brasil, com preço-alvo de R$ 65 para PETR4.

Compilação da Reuters com 13 casas de análise que cobrem o ativo mostra que 9 possuem recomendação de compra ou equivalente e 4 têm recomendação neutra para os ADRs PBR (equivalentes ao PETR3). Para os papéis PETR4, 8 de 9 analistas possuem compra.

O BTG Pactual estimou que uma correção de 15% a 20% levaria o yield de fluxo de caixa ao acionista para aproximadamente 20% nos 12 meses seguintes, criando potencialmente um ponto de entrada atrativo. Uma valorização em torno de 20% reduziria esse yield para aproximadamente 10%, estreitando o desconto da Petrobras em relação às grandes petroleiras internacionais.

O JPMorgan projeta expansão de aproximadamente 600 mil barris por dia na produção nos próximos cinco anos, apoiada principalmente pelos ativos do pré-sal. Búzios permanece como um dos principais motores dessa expansão, com três FPSOs (plataformas) adicionais programados para 2027. Considerando petróleo a US$ 75 por barril, o banco calcula um FCF yield (rendimento do fluxo de caixa livre) de 12,5% para 2027.

Entre os investimentos em implementação, 85% dos projetos previstos para 2027 já foram sancionados, percentual que corresponde a 75% em 2028, 60% em 2029 e 46% em 2030. O Opex por barril da Petrobras caiu de US$ 30,40 em 2015 para US$ 15 em 2025, enquanto o capex planejado para os próximos cinco anos está 60% abaixo dos níveis observados entre 2014 e 2018.

A Petrobras representa cerca de 14% a 15% do Ibovespa, EWZ e MSCI Brazil, segundo o JPMorgan, o que faria dos papéis potenciais beneficiários de uma onda inicial de recursos estrangeiros direcionados ao Brasil.

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