A Embrapa desenvolve pesquisas para adaptar o pinus às mudanças climáticas e reduzir riscos no setor de florestas plantadas, que ocupa 1,9 milhão de hectares no país, concentrados na Região Sul. A espécie, usada em papel, celulose e móveis, tem produtividade média de 31,1 m³ por hectare ao ano, acima da americana.
O pinus, de origem americana, chegou ao Brasil há 120 anos e é matéria-prima de papel e celulose, painéis de madeira, móveis, embalagens e biomassa energética. Até a década de 1970, a produção média era de 18 metros cúbicos por hectare ao ano. Após melhoramento genético, adaptação e manejo, subiu para 31,1 m³/ha, contra 20 m³/ha nos Estados Unidos.
As espécies Pinus taeda e Pinus elliottii lideram os ganhos de produtividade e qualidade, sobretudo no Sul, onde clima e solo favoreceram a cultura. “O desafio é aumentar ainda mais a produtividade do pinus e ter materiais adaptados a mudanças climáticas, a fim de manter uma base genética ampla para ser usada no futuro”, afirma Ananda Aguiar, pesquisadora de melhoramento genético da Embrapa Florestas, em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba.
A estatal pesquisa a espécie há cerca de 50 anos. Desde 2021, o Projeto Cooperativo de Melhoramento Genético de Pinus busca identificar materiais mais adaptados às mudanças climáticas. Os pesquisadores plantam mudas em locais onde a espécie não tem boa adaptação para avaliar tolerância a geadas, temperaturas elevadas e seca. Também investigam a influência dos extremos climáticos na ocorrência de pragas, como a vespa-da-madeira e formigas cortadeiras.
“Há muita variação entre as regiões, com chuvas intensas, alterações na temperatura e estiagem, o que favorece a eclosão de novas gerações de insetos”, conta Ananda. Enquanto 89% dos plantios de pinus estão no Sul, o Sudeste lidera a área de eucalipto (43%), seguido pelo Centro-Oeste (22%). A pesquisa também avalia como o eucalipto é afetado.
Os pesquisadores investigam ainda como o pinus pode ajudar na mitigação dos gases de efeito estufa. Os avanços favorecem produtores. Álvaro Scheffer Junior, diretor da Águia Florestal, de Ponta Grossa (PR), diz que a produtividade nas áreas do grupo passou de 18 m³/ha ao ano no início dos anos 1970 para mais de 40 m³/ha hoje. A produção é de cerca de 100 mil m³ de madeira serrada ao ano, para os mercados interno e externo da construção civil.
Segundo Scheffer Junior, a mudança no regime de chuvas, que ficou mais seca, aumentou a produção de sementes e aprofundou as raízes das árvores. “A planta vai tentando se adaptar e perpetuar a espécie.” Para ele, que integra o Fundo Cooperativo para Melhoramento de Pinus (Funpinus), o desafio é buscar materiais com incremento médio anual na floresta sem perder qualidade estrutural e características físicas como a aparência da madeira.

