A esquerda colombiana foi às ruas na quarta-feira (14) para protestar contra o presidente Abelardo de la Espriella, em uma demonstração de força que superou as expectativas iniciais, segundo a imprensa local. Os atos ocorreram nas principais cidades do país e transcorreram sem grandes incidentes, apesar das ameaças de endurecimento da atuação policial feitas pelo governo.
Os protestos marcaram o primeiro teste de mobilização da oposição desde que a esquerda perdeu o poder para De la Espriella, político de direita e aliado declarado dos Estados Unidos. A capacidade de convocação do campo progressista era uma incógnita, sobretudo diante do temor de repressão e da lembrança da violência policial registrada durante os protestos de 2021.
Poucas horas antes das manifestações, o presidente aprovou por decreto um novo protocolo que torna mais rigorosa a atuação das autoridades durante os protestos. A medida alimentou o receio de confrontos e de que as advertências do governo afastassem possíveis participantes.
Em Bogotá, porém, milhares de pessoas marcharam durante mais de cinco horas. Houve chuva, granizo e períodos de sol, mas não foram registrados incidentes relevantes, e a presença de policiais uniformizados ao longo do percurso foi reduzida. Até mesmo manifestantes encapuzados participaram do ato.
A mobilização ocorreu em um momento de fragilidade para a esquerda, que perdeu a eleição presidencial por uma diferença de cerca de 250 mil votos. Durante a campanha, o ex-presidente Gustavo Petro havia alertado para o risco de uma explosão de protestos sociais caso De la Espriella chegasse à Presidência. Apesar disso, as ruas permaneceram tranquilas nos primeiros meses após a derrota eleitoral.
O senador Iván Cepeda, apontado como possível sucessor político de Petro, liderou parte da marcha em Bogotá e foi recebido por apoiadores que gritavam “presidente”. Ele deixou o percurso antes do fim, mas a manifestação continuou. Petro também apareceu na Praça de Bolívar, no encerramento do trajeto, mas foi embora durante uma forte chuva de granizo sem discursar.
Professores, estudantes de universidades públicas, aposentados, funcionários públicos, indígenas e feministas participaram dos atos. Muitos manifestantes vestiam camisetas com a bandeira da Palestina, em oposição à aproximação de De la Espriella com Israel. Cartazes com a frase “A Colômbia não é o quintal de ninguém” expressavam a rejeição à influência estrangeira.
Líderes sociais discutem a possibilidade de convocar uma greve nacional em 14 de novembro. A realização do movimento ainda é incerta, mas os discursos durante os protestos apresentaram a manifestação como o “preâmbulo” de novas mobilizações.

