Manifestações de apoiadores do presidente Lula e do candidato do PL, Flávio Bolsonaro, mudaram de formato no segundo turno. A esquerda, que teve dificuldade para levar militância às ruas, agora atrai público com atos organizados por estudantes e artistas. A direita divide agendas entre motociatas e os ‘Bloquinho do 22’, puxados pelo deputado Nikolas Ferreira.
No fim de semana, apoiadores de Lula se reuniram na Praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio, com discursos de secundaristas e estudantes de universidades federais contra Flávio. O grupo entoou gritos contra o senador e músicas como ‘vai dar PT’. Pernaltas, músicos com instrumentos de blocos de carnaval e estandartes de apoio a Lula se misturavam a bandeiras do PT.
No final do dia, o público se reuniu nos Arcos da Lapa, no Centro, na manifestação ‘O samba não se cala’, com baterias de escolas, rodas de samba e artistas como Neguinho da Beija-Flor, Diogo Nogueira e Teresa Cristina. O apoio desses artistas tenta fazer frente ao aval de músicos de outros gêneros, como o sertanejo, a Flávio.
O senador foi alvo de representação protocolada pelo PT no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que o acusou de participar de um ‘showmício’ no Festival de Barretos. A prática, que une apresentações musicais e discursos em prol de candidaturas, é proibida pela legislação eleitoral. Flávio também reuniu eleitores em motociatas nos principais colégios eleitorais.
A campanha decidiu intensificar a presença na reta final com caminhadas e comícios, renomeados como ‘Bloquinho do 22’. Eventos com discursos de lideranças bolsonaristas e jingles contra o PT foram planejados por Nikolas Ferreira em Minas Gerais e tendem a percorrer outros estados. Um dos locais será a Avenida Paulista, ocupada por apoiadores de Lula no último domingo.
Na véspera, Lula confirmou presença e pediu que a militância converse com eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno. Lincoln Secco, professor de História da USP, afirma que as manifestações não mudam a opinião de eleitores de Flávio, mas geram imagens que alimentam o movimento de ‘vira-voto’. Rudá Ricci, cientista político, compara os atos às Diretas Já de 1984.
Josué Medeiros, cientista político da UFRJ, considera que os atos mudaram a agenda da eleição, antes mais favorável a Flávio, mesmo sem terem sido planejados pela campanha lulista. Leandro Gabiati, diretor da consultoria Dominium, diz que as manifestações reforçam a identidade política dos participantes e estimulam a participação eleitoral.


