Um estudo da Universidade de Yale associou níveis elevados da molécula IL-16 à intensidade da dor em pacientes com endometriose, doença que afeta 180 milhões de mulheres no mundo. A descoberta pode explicar por que algumas pacientes com poucas lesões sofrem com dores debilitantes e abre caminho para novos tratamentos.
A pesquisa, publicada na revista científica Molecular Human Reproduction, analisou amostras de tecido de pacientes com endometriose e identificou que a IL-16, uma citocina inflamatória, estava presente em níveis mais altos nos casos com dor intensa.
“Isso nos dá uma janela para potencialmente entender por que alguns casos de endometriose causam dor, e será o ponto de partida para investigações que nos ajudarão a tratar essa dor de uma maneira melhor”, disse o professor Hugh Taylor, pesquisador principal do estudo.
A endometriose ocorre quando o tecido que reveste o útero, o endométrio, aparece em outras regiões do corpo, principalmente na pelve, como bexiga, rins e ovários. Esse contato, junto a alterações nas taxas de estrogênio, pode levar a inflamações, cólicas intensas e sangramentos.
Para chegar ao resultado, a equipe usou sequenciamento de RNA e encontrou quase 900 genes com expressão diferencial entre casos sintomáticos e assintomáticos. Muitas dessas diferenças envolviam genes ligados à inflamação. Medições dos níveis de proteína nas biópsias confirmaram que as alterações correspondiam ao aumento de moléculas inflamatórias.
“A IL-16 pode estar recrutando células imunes para as lesões endometrióticas e promovendo a produção de mais citocinas inflamatórias. Essa cascata pode intensificar a dor e a inflamação”, explicou Ramanaiah Mamillapalli, primeiro autor do estudo.
Os pesquisadores afirmam que serão necessárias mais investigações para confirmar se a IL-16 é um fator determinante dos sintomas. “Planejamos estudar se o uso de medicamentos que bloqueiam essa proteína pode reduzir a dor associada à endometriose”, disse Mamillapalli.


