Levantamento da Palver divulgado nesta quinta-feira (15) mostra que 74% das mensagens com posicionamento identificado nas redes sociais são favoráveis ao fim da escala de trabalho 6×1, ante 26% contrárias. A aprovação da proposta pelo Senado, no entanto, passou a incorporar dúvidas sobre a manutenção da medida em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL).
O apoio também prevalece nos aplicativos de mensagens, embora com maior resistência. Nesse ambiente, 61% das manifestações posicionadas são favoráveis ao fim da escala 6×1 e 39% contrárias. A diferença de 13 pontos porcentuais indica, segundo a Palver, que a oposição à medida tem maior presença na mensageria, ambiente em que grupos bolsonaristas tendem a se articular melhor.
O estudo acompanhou a repercussão da proposta entre 1º e 15 de outubro, período marcado pela campanha do segundo turno das eleições presidenciais e pela aprovação, na quarta-feira (14), da PEC 221/2019. O texto, aprovado pelo Senado por 75 votos a 1, reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais e garante dois dias de descanso remunerado, sem redução salarial.
A principal narrativa identificada pela Palver, com peso estimado de 23% na amostra, celebra a aprovação como uma conquista histórica dos trabalhadores e atribui ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a pressão política que teria viabilizado a medida. A segunda narrativa mais frequente, com 22%, concentra-se na mudança de posicionamento de Flávio Bolsonaro, que anunciou apoio à proposta na terça-feira (13), após ter defendido um modelo alternativo de jornada flexível e remuneração por hora.
Nesse grupo, predominam questionamentos sobre a coerência do senador, diante de suas ressalvas à proposta e da ausência de seu nome no registro da votação. Segundo a Palver, o anúncio favorável diminuiu o espaço para associar Flávio à oposição ao fim da escala 6×1, mas não resultou em ganho de imagem perceptível na amostra analisada. A mudança foi interpretada por parte dos usuários como cálculo eleitoral, diante da proximidade do segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Uma terceira narrativa, responsável por 18% das discussões classificadas, concentra-se na possibilidade de reversão indireta dos benefícios da redução da jornada. As manifestações relacionam Flávio e o senador Rogério Marinho (PL-RN) à PEC 12/2026, que prevê remuneração por hora trabalhada, e levantam dúvidas sobre seus possíveis efeitos sobre o salário mínimo, o 13º salário, as férias e o FGTS. Trata-se de receios expressos nas manifestações analisadas, e não de uma conclusão do levantamento sobre os efeitos efetivos da proposta.
Além de Lula e do campo governista, o levantamento identifica reconhecimento ao trabalho da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), de Rick Azevedo (PSOL) e do movimento Vida Além do Trabalho (VAT), apontados como protagonistas da mobilização pela redução da jornada. A discussão ganhou força depois do anúncio de Flávio, em 13 de outubro, e da aprovação da proposta pelo Senado no dia seguinte. A maior intensidade horária foi registrada às 22h da quarta-feira (14), após a votação.

