O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disputarão o segundo turno da eleição presidencial de 2026. Com 97,36% das urnas apuradas, o candidato do PL tem 47,42% dos votos válidos, contra 44,70% do petista. O novo pleito será em 25 de outubro.
O resultado foi definido às 20h57 deste domingo (4). Durante a reta final da campanha, Lula e Flávio estiveram praticamente empatados na margem de erro nas principais pesquisas eleitorais. No último sábado, a Quaest apontava 46% dos votos válidos para o petista contra 45% para o senador do PL; o Datafolha indicava 45% e 42%, respectivamente.
Flávio começou a disputa desacreditado inclusive por petistas e não conseguiu agregar nenhum partido à coligação, nem legendas do Centrão que orbitam o movimento liderado por Jair Bolsonaro. Em maio, teve revelada sua ligação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, justificando o recebimento de R$ 61 milhões como financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair. Em junho, sofreu desgastes por uma briga com a madrasta Michelle Bolsonaro, resolvida com pedido de desculpas público.
Lula enfrentou suspeitas envolvendo a empresária Roberta Luchsinger, seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. Ele diz acreditar na inocência de ambos. Também lidou com a crise envolvendo ministros do STF, em especial as acusações contra Alexandre de Moraes no caso Master.
Com a proximidade de Flávio nas pesquisas, Lula reagiu com medidas populares: destravou o avanço do fim da escala 6×1 no Senado, decretou a proibição imediata das bets e cassinos on-line e aumentou o Bolsa Família de R$ 600 para R$ 691, a poucas semanas da eleição.
Lula e Flávio não se encontraram nenhuma vez na campanha. Faltaram ao debate da Rede Bandeirantes, em agosto, e não compareceram ao encontro da TV Globo, marcado para a última quinta-feira, que acabou cancelado.
Esta é a sétima vez que Lula concorre à Presidência. Derrotado em 1989 por Fernando Collor e superado por Fernando Henrique Cardoso em 1994 e 1998, venceu em 2002, foi reeleito em 2006 e triunfou sobre Jair Bolsonaro em 2022. Preso por 580 dias entre 2018 e 2019, teve as condenações anuladas pelo STF e tornou-se o primeiro brasileiro eleito três vezes para o Planalto.
Flávio, de 45 anos, começou na política em 2002 como deputado estadual no Rio, aos 21. Foi denunciado em 2019 sob suspeita de esquema de “rachadinha” na Alerj, caso arquivado em 2022. Na campanha, passou a explorar o caso Master, chegando a aparecer à frente de Lula em setembro, segundo a Quaest, antes de ser ultrapassado.


