Flávio Bolsonaro (PL) saiu na frente na disputa pelo Palácio do Planalto com 47% dos votos válidos no primeiro turno, contra 45,2% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O senador totalizou 56,1 milhões de votos, 2,2 milhões a mais que o petista, segundo dados oficiais divulgados neste domingo (7).
Flávio liderou a contagem em 14 estados e no Distrito Federal, vencendo em todas as unidades federativas das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Lula registrou mais votos em 12 estados, todos os nove do Nordeste e três do Norte.
Na comparação com o primeiro turno de 2022, Lula perdeu a liderança no Tocantins e em Minas Gerais, que desta vez deram mais votos a um candidato da família Bolsonaro. A votação em Minas é considerada historicamente crucial: desde a redemocratização, nenhum presidente foi eleito sem vencer no estado.
No exterior, onde estão mais de 900 mil eleitores aptos, Lula venceu com 47,6% contra 43,5% de Flávio. A abstenção desse eleitorado foi de quase 63%, ante 51,7% em 2022. Nos Estados Unidos, maior colégio eleitoral fora do país, com mais de 265 mil aptos, Flávio venceu com 61%. Ali, a abstenção ficou em 71,55%, contra 63,3% na eleição passada. Autoridades e representantes da comunidade brasileira atribuíram o aumento ao medo de brasileiros em situação migratória irregular de encontrar agentes do ICE, a polícia migratória de Donald Trump.
Na Europa, que reúne mais de 400 mil eleitores, Lula venceu em praticamente todos os países, inclusive em Portugal, segunda maior diáspora brasileira. Flávio venceu com ampla margem no Japão, terceiro maior grupo de eleitores.
A campanha de Lula terá como desafio atrair eleitores que optaram por outras candidaturas (9,3 milhões), não escolheram ninguém (quase 6 milhões) ou não compareceram (33,4 milhões). Duas das três candidaturas minoritárias de maior projeção, Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD), somaram quase 5,3 milhões de votos e são de direita. A abstenção no primeiro turno atingiu 21%, maior patamar desde 1998.
No Congresso, o PL elegeu 19 senadores e, somadas as cadeiras de 2022, terá 28 — a maior bancada desde a Constituição de 1988. Candidatos alinhados ao bolsonarismo também venceram por outras legendas, como Deltan Dallagnol (Novo) no Paraná, Marcel van Hattem (Novo) no Rio Grande do Sul e Guilherme Derrite (PP) em São Paulo. Na Câmara, o PL elegeu 121 deputados, 22 a mais que em 2022, também recorde. O PT elegeu 70, dois a mais que na eleição passada, e, com a federação com PCdoB e PV, somará 88.

