A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) pretende transformar o resultado das eleições para governador em uma rede de palanques para o segundo turno presidencial. A estratégia é mobilizar os cinco governadores do PL eleitos no domingo e os dois que ainda disputam o segundo turno, mantendo o mote do antipetismo e críticas ao custo de vida.
O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro deve contar ainda com o apoio de partidos como o PP e o União Brasil, que ficaram neutros no primeiro turno. O plano é usar a segurança pública como bandeira.
Três dos cinco governadores eleitos pelo partido estão no Sul — Sergio Moro (PR), Zucco (RS) e Jorginho Mello (SC). Na região, Flávio alcançou cerca de 60% dos votos válidos. Os outros dois estão em estados onde o desempenho do presidenciável também foi elevado. Em Rondônia, Marcos Rogério foi eleito e Flávio teve 67,45% dos votos. Em Roraima, Arthur Henrique venceu a disputa pelo governo e o candidato à Presidência chegou a 71,06%.
Além desses cinco, o PL tem dois candidatos disputando o segundo turno. No Rio, Douglas Ruas terminou na liderança, com 49,27% dos votos, contra 42,76% de Eduardo Paes (PSD). No Amazonas, Professora Maria do Carmo (PL) teve 24,5%, atrás de Omar Aziz (PSD), que teve 40,5%. A disputa é vista pela campanha presidencial como oportunidade de manter o PL mobilizado na região Norte.
São Paulo é considerado um dos principais focos da campanha para o segundo turno. Tarcísio de Freitas (Republicanos) foi reeleito governador com 62,65% dos votos válidos, enquanto Flávio teve 51,93% no estado. Tarcísio viajou para Brasília ontem para se reunir com Flávio e já se mostrou disposto a percorrer não só São Paulo, mas outros estados. A diferença entre as votações é observada pela campanha como um indicativo de espaço para ampliar a votação presidencial no estado.
Ainda no domingo, Flávio telefonou para o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), eleito governador de Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país. A campanha pretende ainda dar mais espaço a outros nomes com votações expressivas, como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). O comando nacional do PP marcou para a tarde de hoje uma reunião para decidir a posição da sigla no segundo turno. De acordo com integrantes da Executiva Nacional do partido, a tendência é que a legenda apoie Flávio. Já o PSD anunciou neutralidade e liberou os filiados.
Flávio deve ir à Goiânia hoje para receber o apoio do ex-governador Ronaldo Caiado, que disputou o Palácio do Planalto pelo PSD e teve 2,18% dos votos. Derrotado na disputa presidencial, o ex-governador de Minas Romeu Zema (Novo) anunciou ontem apoio a Flávio. Ele teve 0,27% dos votos. Também ontem, o ex-presidente Michel Temer (MDB) declarou apoio ao candidato do PL.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou ontem que Bolsonaro poderá voltar a disputar a Presidência em 2030 caso Flávio seja eleito. O presidenciável do PL já afirmou que pretende anistiar o pai e não disputar a reeleição. Valdemar disse não ter dúvidas de que Flávio, caso eleito, irá “liberar” Bolsonaro para uma nova candidatura.


