O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participará de um ato de campanha na avenida Paulista, em São Paulo, no mesmo dia em que enfrenta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro debate presidencial. O evento está marcado para as 10h de domingo (18), e o confronto na Band, às 20h.
Flávio deve viajar à capital paulista no sábado (17). No domingo, participará da manifestação ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do prefeito Ricardo Nunes (MDB). O ato busca rivalizar com o realizado por apoiadores de Lula no domingo (11), que ocupou 7 quarteirões da avenida.
Nos bastidores da campanha, há preocupação com a possibilidade de o público ser menor que o do evento petista. No dia anterior, Flávio estará em Vitória (ES) e Salvador (BA) para atos de campanha.
O debate na Band será o primeiro de Flávio como candidato à Presidência. Em 2016, quando concorreu à Prefeitura do Rio de Janeiro pelo PSC e terminou em 4º lugar, o senador também participou de debates eleitorais. Em um deles, passou mal depois de uma queda de pressão enquanto respondia a uma pergunta de um eleitor, e deixou o debate em seguida.
Nem Lula nem Flávio participaram de debates neste ano. A agenda intensa no dia do confronto, porém, tem precedentes na história eleitoral. Em entrevista concedida em 23 de fevereiro de 1990, reunida no livro “Sem medo de ser feliz: Cenas de campanha”, de André Singer, Lula relatou a sequência de compromissos que antecedeu o debate final contra Fernando Collor, em dezembro de 1989.
Depois de um comício no Rio de Janeiro, voltou a São Paulo à meia-noite, foi a um jantar em São Bernardo do Campo, chegou em casa às 2h30, acordou às 6h para viajar a Brasília e retornou às 16h. Na sequência, reuniu-se com assessores para preparar o debate, mas já estava perto do horário de ir à TV Bandeirantes. “A verdade é que a gente passou o tempo inteiro falando da importância do debate, mas acabamos por tratá-lo como se não tivesse importância alguma”, afirmou. Collor se saiu melhor e venceu o 2º turno.
A estratégia de Flávio para o debate é evitar cair em provocações do presidente. A orientação é não deixar alegações sem resposta e fazer críticas pontuais, sem se aprofundar em temas que possam criar controvérsia. A meta traçada pela campanha não é necessariamente vencer o confronto, mas evitar uma derrota. Uma das preocupações do entorno do senador é que um debate excessivamente agressivo permita a Lula assumir o papel de vítima.

