Os Estados Unidos não vão resolver o problema da dívida pública crescente apenas com crescimento econômico, sem ajustes em impostos ou gastos, e a China precisa migrar de um modelo puxado por exportações para outro baseado em consumo interno, disse nesta quarta-feira (14) a diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva.
Em discurso nas reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial em Bangcoc, Georgieva pediu que as duas maiores economias do mundo façam mudanças políticas “dolorosas” para reduzir desequilíbrios fiscais e comerciais.
O chefe de assuntos fiscais do Fundo, Rodrigo Valdés, afirmou que inflação, alto endividamento e aumento dos rendimentos dos títulos elevaram a urgência da consolidação fiscal no mundo.
Georgieva classificou as economias avançadas, especialmente EUA e países europeus, como os “piores infratores” do endividamento excessivo. Rendimentos de referência mais altos têm efeitos sobre países de baixa renda, que já foram forçados pelos mercados a conter suas dívidas.
Questionada se os EUA precisam de política fiscal mais restritiva, ela disse que o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, reconhece que os níveis de déficit e dívida do país estão muito altos e precisam se tornar mais sustentáveis.
O relatório Fiscal Monitor, divulgado nesta quarta-feira, alerta que atrasos em uma era de custos de endividamento mais elevados tornarão a tarefa mais difícil nos próximos anos. “Reforçamos a urgência da nossa mensagem”, disse Valdés.

