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Leitura: FMI corta previsão de crescimento do Brasil para 2026 e 2027
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FMI corta previsão de crescimento do Brasil para 2026 e 2027

Carla Fernandes
Última atualização: 13 de outubro de 2026 08:58
Carla Fernandes
Tempo: 3 min.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu nesta terça-feira (13) as projeções de crescimento da economia brasileira para 2026 e 2027. A estimativa para o PIB do país caiu de 2,4% para 2,2% neste ano e de 2,2% para 1,9% no próximo, segundo o relatório Panorama Econômico Mundial. A revisão ocorre enquanto o organismo elevou a previsão global de 3% para 3,1%.

O FMI atribui a desaceleração brasileira a três fatores: juros elevados, redução gradual dos estímulos fiscais e incertezas do cenário internacional. Os juros altos encarecem o crédito para famílias e empresas, o que tende a frear consumo e investimentos. O governo, por sua vez, tem menos espaço para impulsionar a atividade por meio de gastos e incentivos diante da necessidade de controlar as contas públicas.

O terceiro elemento é externo. A guerra no Oriente Médio pressiona os preços do petróleo, que permanece acima de 100 dólares o barril, segundo a Reuters. Isso aumenta custos de produção e transporte em diferentes países. No Brasil, uma eventual transmissão da alta aos combustíveis pode encarecer mercadorias e alimentos, mas o impacto depende de câmbio e política de reajustes.

Enquanto o Brasil teve projeções reduzidas, o FMI elevou a previsão global de crescimento para 3,1% em 2026, mantendo 3,4% para 2027. A melhora é puxada por investimentos em inteligência artificial, com expansão de centros de dados e infraestrutura digital. O Brasil, porém, não está entre os principais beneficiários desse movimento, concentrado em economias asiáticas e desenvolvidas.

Nos Estados Unidos, o FMI prevê crescimento de 2,3% em 2026 e 2027. A China deve avançar 4,5% neste ano e 4% no próximo, enquanto a Índia aparece com 7% nos dois períodos. O relatório mostra que apenas 32 países respondem por 95% do crescimento mundial, contra 54 na avaliação de abril.

Na América Latina, a previsão de crescimento foi reduzida de 2,4% para 2,3% em 2026 e de 2,7% para 2,5% em 2027. A economista-chefe do FMI, Silvana Tenreyro, alertou que os países da região precisam manter atenção à inflação, projetada em 4,2% neste ano e 4,1% no próximo. O encarecimento de energia e alimentos pode dificultar a redução dos juros.

O FMI também apontou a dívida bruta brasileira, equivalente a 94,5% do PIB em agosto, abaixo dos 95,4% de julho. Apesar da redução, o patamar elevado exige atenção à trajetória das contas públicas. A instituição defende responsabilidade fiscal e reformas estruturais para fortalecer as economias diante de choques internacionais.

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