O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou que as principais economias do mundo registrarão neste ano o maior déficit nominal em suas contas públicas desde 2021, auge dos gastos para enfrentar a Covid-19. O alerta consta da edição de outubro do relatório Panorama Econômico Mundial (WEO), divulgado nesta terça-feira (13).
Segundo as projeções globais que acompanham o documento, as economias avançadas terão, no agregado, um déficit nominal de 5,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, ante 4,4% em 2025. Se confirmado, será o maior rombo desde 2021, quando o saldo negativo ficou em 7,3% do PIB.
Como resultado, as dívidas públicas não devem parar de crescer. Este ano, ficarão em 108% do PIB agregado nas economias avançadas, mesmo nível de 2025, mas com perspectiva de subir para 115% em 2031. No agregado mundial, estão em 95% do PIB e crescerão para 101,5% em 2031.
“Um foco renovado na reconstrução do espaço fiscal é urgente, diante da dívida elevada, dos custos de captação mais altos, das demandas que se multiplicam sobre os orçamentos públicos e da incerteza intensificada”, diz um trecho do WEO, divulgado na Tailândia, onde ocorre a reunião anual do FMI.
O relatório afirma que novos aumentos de gastos ou cortes de impostos devem ser devidamente financiados. “Uma consolidação confiável de médio prazo deve apoiar-se em planos bem específicos, incluindo medidas duradouras de receita, administração tributária mais forte, bases tributárias mais amplas, melhor conformidade e maior eficiência dos gastos.”
No caso dos EUA, o déficit nominal do governo atingirá 8,5% do PIB este ano, acima dos 7,1% de 2025. Na China, o rombo vai a 8%, ante 7,9% no ano passado. Para as economias emergentes e em desenvolvimento, o déficit será de 6% do PIB agregado, ante 5,8% em 2025, o maior desde 2020, quando ficou em 8,4%.
Para o Brasil, o FMI estima déficit nominal de 8,1% do PIB este ano, ante 7,4% em 2025. O relatório alerta que países com inflação acima da meta, como o Brasil, podem se beneficiar de consolidação fiscal para complementar a política monetária. Já economias com receitas extraordinárias de commodities, também o caso brasileiro, devem resistir a pressões pró-cíclicas de gastos.

