A França se prepara para um sábado (17) de intensos protestos, com mais de 90 manifestações e 250 atos simultâneos previstos pelo governo em Paris e dezenas de cidades. As autoridades temem confrontos violentos, bloqueios de rodovias e paralisações de serviços, enquanto grupos organizadores citam números ainda maiores de mobilizações.
Segundo o próprio governo francês, pelo menos 90 manifestações e 250 atos simultâneos estão previstos ao longo do dia. Aplicativos criados para auxiliar na organização dos manifestantes citam mais de 700 manifestações e 1.500 ações planejadas.
As mobilizações devem reunir estudantes, sindicatos, caminhoneiros, bombeiros, trabalhadores da saúde e representantes do agronegócio em torno de cobranças que convergem no alto custo de vida da população.
Em Paris, os manifestantes citam atos simultâneos em regiões distintas da capital, como a Champs-Élysées, Place de l’Étoile, Place de la République e a Bastilha. A prefeitura garante que em alguns desses pontos não será permitido aglomerações. No final da tarde desta sexta-feira (início da tarde em Brasília), uma ordem excepcional foi emitida pelo setor de segurança proibindo atos em regiões estratégicas das 7h às 22h.
O movimento ganhou força nas redes sociais desde setembro e reúne grupos com reivindicações diversas, entre estudantes do ensino médio e universitários, ativistas de esquerda e apoiadores dos chamados coletes amarelos, que protagonizaram uma onda de protestos em 2018 e 2019. A mobilização inclui pautas como educação, saúde, violência policial, preço dos combustíveis, meio ambiente e resistência contra o acordo entre a União Europeia e o Mercosul.
Setores de inteligência do governo monitoraram a organização dos atos nos últimos dias e viram potencial de reunir mais de 100 mil pessoas somente fora de Paris. Atos estão previstos em cidades como Lyon, Nantes, Rennes, Grenoble e Toulouse. Relatórios apontaram a presença de grupos heterogêneos, além do risco de ações espontâneas e pouco organizadas em grandes cidades universitárias.
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, disse temer a atuação de grupos da chamada ultra esquerda ao final de algumas passeatas e afirmou que as forças de segurança deverão intervir caso bloqueios prejudiquem o trânsito ou o acesso a infraestruturas consideradas essenciais. O ministro também declarou que armas de uso intermediário, incluindo granadas de efeito atordoante, poderão ser utilizadas em caso de confrontos graves.
O posicionamento diverge do adotado desde o início do mês, após um incidente com um adolescente de 15 anos que perdeu uma das mãos ao ser atingido por uma granada, o que levou o governo a suspender o uso de artefatos explosivos contra multidões.

