Porto Velho amanheceu encoberta pela fumaça de queimadas vindas do Amazonas, nesta terça-feira (13), com a qualidade do ar pior que a de Manaus, que nas últimas semanas registrou os piores índices do país. O horizonte do Rio Madeira, que corta a cidade, estava pouco visível em meio à imagem turva.
De acordo com a IQAir, empresa suíça que monitora a poluição atmosférica, o índice na capital rondonense às 15h era de 107 US AQI, parâmetro usado nos EUA, enquanto Manaus marcava 103 US AQI. A faixa entre 100 e 150 indica condição de ar “insalubre para grupos sensíveis”, como crianças, idosos e gestantes.
Porto Velho registra concentração de 38 microgramas por metro cúbico (µg/m³) de partículas finas (PM2.5), segundo a IQAir. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda limite de 15 µg/m³ na média de 24 horas.
A prefeitura afirmou que informações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e imagens do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) confirmam o transporte da fumaça através dos ventos. O cenário é agravado pela estiagem e pela baixa umidade, segundo o município.
A Secretaria de Meio Ambiente orientou a população a manter a hidratação, umidificar os ambientes e redobrar os cuidados com crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.
Desde setembro, incêndios ocorrem predominantemente no interior amazonense e na calha ao sul de Manaus, em municípios como Careiro, Careiro da Várzea e Autazes. Nos primeiros dez dias de outubro, o Amazonas registrou 1.380 focos de incêndio, volume quase quatro vezes superior ao mesmo período do ano passado, segundo o Painel do Fogo, vinculado ao Ministério da Defesa.
Mapeamento do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais, da UFRJ, indica que a área queimada no estado acumulou 122.794 hectares nos primeiros nove dias de outubro, valor 97,3% acima da média histórica para o mês. Em Porto Velho, os dados do Inpe apontam redução de 32,8% na comparação entre janeiro deste ano e o ano passado: foram 1.013 focos em 2025 e 680 em 2026.

