Funcionários da Meta reconheceram em comunicações internas que as contas do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Instagram foram prejudicadas por restrições durante as eleições, afirmou a Folha de S.Paulo nesta sexta-feira (16), citando mensagens que analisou. Nas mensagens, os funcionários também admitiram que a plataforma recomendava o perfil de seu adversário no segundo turno, o senador Flávio Bolsonaro (PL), além de seu canal no WhatsApp.
A Meta negou interferência eleitoral. A empresa afirmou que os problemas técnicos citados na reportagem já eram de conhecimento público e que as conversas mencionadas se referiam exclusivamente à gravidade dos problemas, e não a uma interferência política. “Qualquer sugestão de que a Meta favoreça um lado é falsa”, acrescentou em comunicado.
Lula enfrentará Bolsonaro no segundo turno da disputa pela Presidência, em 25 de outubro, após o senador de oposição ter conseguido desempenho melhor do que o esperado no primeiro turno, no início deste mês.
A campanha de Lula afirmou no início desta semana que apresentaria uma denúncia à Organização dos Estados Americanos (OEA) alegando que a Meta, proprietária do Instagram, do WhatsApp e do Facebook, manipulou as redes sociais durante as eleições no Brasil.
Segundo o PT, algumas publicações da campanha de Lula apareceram sem o botão de compartilhamento, tiveram alcance reduzido e alguns stories não permitiam reações e compartilhamentos, além de aparecerem sem áudio ou serem reproduzidos em velocidade acelerada.
Um juiz do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ordenou, na quinta-feira (15), que a empresa não limitasse injustificadamente o alcance de conteúdo político relacionado a ambos os candidatos até o final da campanha do segundo turno. A decisão também determinou que a Meta AI, o chatbot de inteligência artificial da empresa, não deve favorecer nenhum dos candidatos ao gerar conteúdo relacionado às eleições.

