A TV Globo cancelou o debate presidencial previsto para a noite desta quinta-feira (1º) após duas decisões judiciais que mudariam as regras do encontro. A primeira, da ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), atendeu à coligação de Lula e proibiu o púlpito vazio. A segunda, do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a participação de Renan Santos (Missão).
A decisão de Estela Aranha, do TSE, atendeu a um pedido da coligação do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ela proibiu o púlpito vazio com o nome do petista e perguntas direcionadas ao espaço vago. Gilmar Mendes, do STF, atendeu ao Solidariedade e garantiu a presença de Renan Santos.
Para colunistas do GLOBO, a noite sem confronto favoreceu Lula. Ele ganhou um palanque exclusivo em um podcast no mesmo horário. A avaliação é que o desfecho expôs fragilidades de Flávio Bolsonaro (PL). Há também quem veja o cancelamento como “mais um elemento a alimentar o antipetismo de chegada”.
Vera Magalhães afirmou que Lula terá palanque exclusivo com entrevista ao Flow Podcast. No chat, eleitores petistas comemoram o cancelamento e conclamam mobilização por vitória no primeiro turno. Thomas Traumann disse que o cancelamento mostra a fragilidade de Flávio Bolsonaro, que “desistiu por medo” de enfrentar Renan Santos.
Lula chegou a 45% dos votos válidos no Datafolha, contra 40% de Bolsonaro. Para Traumann, o debate era a chance de Bolsonaro encurtar a distância. “Ele fraquejou”, declarou. Merval Pereira avaliou que a interferência de ministros ajudou Lula, citando a ligação de Estela Aranha com Flávio Dino.
Fabio Graner afirmou que Lula se livrou de ataques em massa da direita e tornou o tempo no podcast mais útil. Flávio Bolsonaro, por outro lado, se livrou dos ataques de Renan Santos, que mira o terceiro lugar e tenta se projetar para 2030, e reforça discurso contra o Judiciário. Mauricio Moura disse que o cancelamento alimenta o antipetismo de chegada.
Renato Meirelles resumiu: “Renan Santos ganhou a manchete sem ganhar o palco”. Ele afirmou que o maior vencedor da noite é o sofá. Um em cada cinco eleitores ficou em casa em 2022, e esta eleição será decidida por quem fica. “No domingo, o único debate que sobrou é na urna”, concluiu.

