O governo Trump suspendeu oito grandes empresas de tecnologia, incluindo Microsoft e Adobe, de um programa de green cards e abriu investigações sobre nove universidades, entre elas Harvard e Yale, por suposto abuso de vistos de trabalho e intercâmbio. O anúncio foi feito na quinta-feira (8) pelo vice-presidente J.D. Vance, em Washington.
Vance afirmou que as companhias “abusaram” dos processos de visto H-1B e green card para “substituir trabalhadores americanos por o que é efetivamente servos estrangeiros”. A suspensão também atinge as empresas de terceirização de TI Cognizant, Infosys, Tata Consultancy Services, Wipro, HCL Technologies e Capgemini.
O secretário do Trabalho, Keith Sonderling, disse que não serão aceitas novas solicitações nem processadas as pendentes de certificação trabalhista permanente dessas empresas. Segundo ele, as companhias buscaram contratar quase 3 milhões de trabalhadores estrangeiros e receberam mais de 230 mil aprovações de vistos H-1B desde 2009.
Vance citou o caso da Microsoft, que teria demitido 6 mil trabalhadores americanos no ano passado enquanto obtinha 6,3 mil vistos H-1B e cerca de 3 mil green cards. “Se você fizer as contas, para cada trabalhador que a Microsoft demitiu, eles substituíram por um servo estrangeiro e meio”, disse. A empresa afirmou que 80% de suas solicitações H-1B no último ano fiscal foram para estender ou alterar o status de funcionários atuais, não para contratar novos.
As nove universidades investigadas por suposto abuso do programa de vistos J-1 são Harvard, Yale, Stanford, Brown, Universidade de Pittsburgh, Universidade da Califórnia em Davis, Instituto de Tecnologia da Califórnia, Universidade Estadual do Arizona e Instituto de Tecnologia de Massachusetts. O inspetor-geral do Trabalho, Anthony D’Esposito, disse que a investigação focará em influência estrangeira e abuso de vistos em pesquisas financiadas pelo governo federal.
Harvard, Brown, Pittsburgh e MIT confirmaram o recebimento das intimações. Stanford e UC Davis afirmaram que cooperarão. A Arizona State disse que cumpre a lei americana, e Yale informou que analisará os documentos.
Para trabalhadores das oito empresas, a pausa no PERM atrasa um caminho comum para obter green cards. Quem está perto do limite de seis anos do visto H-1B corre maior risco, segundo a advogada de imigração Lidice Samper. A Nasscom, grupo da indústria de TI da Índia, disse que o efeito será limitado, enquanto o ex-assessor do governo Biden Doug Rand classificou a política como “incoerente”.

